Revista da Adeval 
Ano XVII - nº 180 Junho/2006

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Editorial

Futuros: aos 20 anos, novos desafios

Ação/Noticiário

Comitê de Educação da CVM e Adeval
Meirelles e Levy na premiação dos "Bem Sucedidos 2006"
Ranking empresarial "The Economist": Brasil perde 3 posições
Balanços, a próxima revolução silenciosa: XBRL na SEC
ABVCAP tem novo presidente
Revolução na educação de Finanças e "investment grade"
Rede de comunicações Bovespa, BM&F e CBLC
"Bovespa vai até você": 300 mil pessoas atendidas
Empréstimos de ações: ferramenta anti-risco
Livros
Corretoras: expansão geográfica e capacitação

Agenda

A interação com o mercado de debates

Mercado Financeiro e de Capitais

Melhores práticas de Prevenção à Lavagem de Dinheiro
Opinião
Derivativos: 9,9 bilhões de contratos
Reunião-Almoço
Ney Castro Alves
Mercado homenageia Meirelles
Henrique de Campos Meirelles
O desafio do Crescimento Sustentado
Corretoras
BM&F lança Programa de Qualificação das Corretoras
Bolsas
Bovespa e BM&F iniciam estudos para desmutualização

Ponto de Vista

China dobra força de trabalho mundial
Indicadores
O desempenho das Instituições

 


EDITORIAL

Futuros: aos 20 anos, novos desafios
Ney Castro Alves (*)

    Um recorde de 9,9 bilhões de contratos foram negociados nas Bolsas de Futuros e Opções de todo o mundo em 2005. E o Brasil tem papel de destaque no ranking das principais Bolsas do Mundo: a BM&F ocupa o 5o lugar entre as 40 maiores Bolsas de Futuros exclusive Opções, e a Bovespa ocupa o 8o lugar entre as 58 maiores incluindo Opções. 
    É um reconhecimento mundial às Bolsas brasileiras e quase um presente de aniversário à BM&F – Bolsa de Mercadorias & Futuros que no dia 31 de Janeiro/2006, comemorou 20 anos de atividades e conquistas, numa festa que reuniu associados, autoridades e representantes do mercado financeiro. “Vejo o horizonte dos próximos vinte anos dessa instituição da mesma forma que seus fundadores viram, vinte anos atrás, disse Manoel Felix Cintra Neto, presidente do Conselho de Administração. “Com ousadia política e com a certeza de que somente uma instituição técnica, ética e profissionalmente blindada poderá continuar crescendo e ocupando espaços”.
    De minha parte, como participante ativo desse mercado, tendo sido presidente da antiga BMSP – Bolsa de Mercadorias de São Paulo (de 1986 a 1991 e que se juntou à BM&F em 1991), membro do Conselho da BM&F (desde 1991 e vice-presidente de 1998 a 2000) e atual membro do Conselho Consultivo (desde 2001), concordo plenamente com ele e todos nós hoje sentimos uma pontinha de orgulho. 
    Afinal, as ordens que hoje chegam à Bolsa movimentam diariamente mais de 1 milhão de contratos de juros, câmbio, índices, commodities em geral. Os usuários transformaram a BM&F em grande agente calculadora para marcações a mercado. Esses usuários nacionais e, cada vez mais, internacionais compram, vendem, consultam preços nas áreas mais críticas para a economia de um país e fazem girar nos pregões de viva-voz e eletrônicos valores superiores a US$ 7 trilhões de dólares por ano.
    Ao homenagear os membros do Conselho de Administração, Manoel Felix disse que gostaria de citar – um por um - os nomes de todos os integrantes do Conselho nestes 20 anos, e que seus nomes estavam registrados em livro lançado na ocasião. “Cada um ao seu modo, em seus mandatos, deram contribuições fundamentais para que essa grande orquestra chamada BM&F preencha harmoniosamente os espaços que a sociedade a ela atribuí e confia. Também homenageou os membros do Conselho Consultivo, integrado pelos ex-presidentes Eduardo Rocha Azevedo, Manoel Pires da Costa e Luiz Ribeiro, e pessoas cujos nomes dispensam apresentação, como Alcides Tápias, Affonso 
Celso Pastore, Alfredo Rizkallah, Gabriel Jorge Ferreira, Gustavo Marin, Pepe Esteve, Pratini de Moraes, Ney Castro Alves, Olavo Setúbal, Rubens Barbosa. E dirigiu um agradecimento especial a Raymundo Magliano, Alfredo Rizkallah e Álvaro Vidigal que participaram, em diferentes momentos, como representantes da Bovespa no Conselho de Administração”.

Vinte anos de evolução
    A BM&F surgiu e cresceu num contexto nacional e global por que as Corretoras tiveram a visão de um mercado novo. Vejamos uma evolução comparativa:
    “Os mais velhos se lembram de que em 1986 comemoramos o ano em que realizamos 1 milhão e 600 mil contratos; hoje fazemos isso a cada dois dias; no ano de 1991 realizamos 26 milhões de contratos; hoje basta um mês para isso. Praticamente dobramos o volume nos últimos dois anos. A Bolsa de 1 milhão de contratos/dia é uma realidade. Hoje, em apenas dois Pregões, o número de contratos negociados na BM&F se iguala a todo o volume de 1986, seu primeiro ano de funcionamento. A verdade é que o mercado estava lá nos anos 80. Esses mercados poderiam não ter aparecido aqui. As Corretoras inventaram esse mercado quando muitos não acreditavam nele. Colocamos o Brasil no seleto grupo dos cinco maiores centros de negociação de Contratos Futuros do mundo”.
    Ao longo dos seus 20 anos a BM&F evoluiu de um projeto voltado para Mercados Futuros para um tripé de Clearings sistemicamente relevantes nas áreas de Derivativos, Ativos e Câmbio; onde um settlement bank integra e completa essa estrutura.

O futuro é hoje
    “Vejo o horizonte dos próximos vinte anos dessa instituição da mesma forma que seus fundadores viram, vinte anos atrás. Com ousadia política e com a certeza de que somente uma instituição técnica, ética e profissionalmente blindada poderá continuar crescendo e ocupando espaços”.
    Os valores contratuais em giro nos Mercados Futuros das Bolsas da América do Norte correspondem a mais de 40 vezes o valor do PIB. No Brasil são 10 vezes. Quando valores tão grandes estão em giro no mundo e aqui também, só uma auto-regulação rigorosa, aliada à certeza jurídica por parte dos reguladores, permite que os mercados fluam normalmente. 
    Em recente congresso da Futures Industry Association, em Chicago, estimou-se que o mercado global de Derivativos poderá dobrar a cada três anos. Basta olhar para a volatilidade do câmbio, dos juros, dos índices de ações e das commodities em todo o mundo para entender por que as empresas correm atrás de Derivativos para fixar preços futuros. Nos EUA e Europa mais de 90% das empresas usam Derivativos; em nossos mercados só 10%. As Corretoras brasileiras estão se posicionando para ir atrás dos 90% que faltam. 
    Por operar cada vez mais em escala global, a BM&F está na China, em New York e na Argentina. E vai acelerar os entendimentos com as Bolsas de Rosário, na Argentina, e Dalian na China, além de procurar novos parceiros para a ampliação dos mercados de soja, energia e outras commodities.
    Dentre os novos projetos ressalta a “Roda do Dólar Pronto”, iniciada em Fevereiro/2006, e que na 1ª semana, apresentou media 240 negócios/dia, e volume médio de US$ 340 milhões/dia. Esse mercado está em processo de consolidação e a BM&F vem estudando aperfeiçoamentos na regulamentação e operacionalidade. Por exemplo: em breve nele poderão operar empresas exportadoras e importadoras, através das Corretoras de Câmbio. E, ainda neste semestre deve lançar a “Roda do Euro” e a “Roda do Yen”. Afinal, o Câmbio para as Corretoras, hoje, envolve a atuação nos mercados: a) Interbancário de Balcão, que movimenta em média de US$ 1,5 bilhão/dia; b) Roda do Dólar Pronto, para onde já migrou cerca de US$ 400 milhões/dia, quase um terço do total; c) Futuros que negocia Contratos de 50 mi; d) Clientes – com operações diretas de importação e exportação, remessas. Todos têm seu peso, e muita coisa pode mudar nesses mercados. 
    Em síntese, a BM&F e as Corretoras têm dois grandes desafios: atrair investidores do Interior do Brasil e ao mesmo tempo buscar os recursos dos grandes aplicadores europeus, asiáticos e americanos.
    Para “popularizar” seu mercado e atrair empresas não-financeiras, incluindo aquelas fora do eixo Rio/São Paulo, a Bolsa criou um programa de interiorização das Corretoras associadas. No mercado internacional, um dos avanços foi a recente autorização do governo da China para as empresas chinesas negociarem na BM&F. Além disso, a Bolsa terá um contrato de soja em conjunto com a Bolsa de Rosário, na Argentina. 
    Para reforçar a área de tecnologia, a Bolsa está investindo R$ 26,4 milhões. Boa parte será usado na criação de uma nova plataforma eletrônica de negociação.

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AÇÃO - NOTICIÁRIO

Comitê de Educação da CVM e a Adeval

    A Adeval enviou carta ao presidente da CVM, Marcelo Fernandez Trindade, cumprimentando pela criação do Comitê Consultivo de Educação, através da Deliberação 498 (24/01/2006), da CVM.
    
    Diz o documento:
    “A Adeval (fundada em 1965) tem toda uma história de mais de 40 anos voltada para o aperfeiçoamento de profissionais no Mercado de Capitais, tendo sido uma das fundadoras do antigo Codimec - Comitê de Divulgação do Mercado de Capitais, e se orgulha inclusive de ter sido Membro do Conselho, de 1977 a 1991, inclusive presidido o órgão”.
    Do lado da educação, a Adeval já promoveu, ao longo de 1975 a 2005, cerca de 760 cursos e seminários, com a participação de mais de 17 mil profissionais do Mercado Financeiro e de Capitais, inclusive funcionários da própria CVM.
    Inclusive foi pioneira em cursos internacionais. Em 1980, 1981 e 1982, sob a coordenação do ex-presidente da CVM, Thomas Tosta de Sá, a Adeval realizou Seminários na New York University sobre o Mercado de Capitais norte-americano. O tema do seminário de 1982 foi “A importância e a função dos Mercados Futuros”.
    Como a Adeval não faz parte do referido Comitê, caso haja por bem modificar a referida Deliberação, colocamo-nos à disposição para ser incluída no Comitê permanente e continuar contribuindo para seus objetivos e projetos de atos normativos.”

    Objetivos – Dentre os objetivos do Comitê estão: 1) propor e apoiar o desenvolvimento de projetos que contribuam para promover melhores padrões de educação financeira da população, visando, assim, ao desenvolvimento do mercado de valores mobiliários; 2) propor o estabelecimento de parcerias, convênios ou outros mecanismos de cooperação, com entidades públicas e privadas, nacionais ou estrangeiras, que contribuam para a educação financeira da população.
    Dele fazem parte representantes da Abrasca, Anbid, Andima, Apimec, BM&F, Bovespa, Ibri, Ini. Ficaram de fora a Adeval e a Ancor, justamente quem atua na área de intermediação e distribuição de valores mobiliários. 

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Meirelles e Levy na premiação dos “Bem Sucedidos 2006” 

    Foram realizada dia 22 de Maio, na Bovespa, a cerimônia de entrega dos diplomas aos “Bem Sucedidos 2006”, evento promovido pela Revista Banco Hoje, que contou com a presença do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. Neste ano, a premiação, que está em sua 17 edição, fez homenagem especial a Joaquim Levy, vice-presidente do BID e ex-secretário do Tesouro Nacional. 
    A seguir, as personalidades que se destacaram nas oito categorias que compõem a homenagem: Especial - Joaquim Vieira Ferreira Levy, Vice-presidente do BID; Indústria - Maurício Botelho, presidente da Embraer; Comércio - José Gallo, presidente da Lojas Renner; Entidades - Manoel Felix Cintra Neto, presidente da BM&F; Instituições Financeiras - Carlos Eduardo Monteiro, presidente do Banco Nossa Caixa; Serviços - Caio Auriemo, presidente do Conselho Administrativo da Dasa; Agro-negócios - Rubens Ometto Silveira Mello, presidente da Cosan; Imprensa - George Vidor, Colunista de O Globo.
    Fizeram parte do Júri, os presidentes das principais Entidades do Mercado Financeiro e de Capitais.

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Ranking empresarial “The Economist”: Brasil perde 3 posições 

    Segundo um ranking elaborado pela divisão de análise do grupo editorial britânico “The Economist”, a Dinamarca será o país com melhor clima empresarial entre 2006 e 2010, enquanto no período entre 2001 e 2005 o Brasil perdeu três posições, passando do 42º lugar para o 45º.
    A Dinamarca, que obteve 8,82 pontos, ocupa a primeira posição no período 2001-2005. O segundo lugar do ranking foi para a Finlândia, que veio da sexta posição, seguido pelo Canadá, Cingapura, Holanda, Irlanda e Reino Unido.
    A Economist Intelligence Unit aplicou seu ranking sobre clima empresarial às 82 maiores economias do mundo, que reúnem mais de 98% da produção global, frente às 60 analisadas no período anterior. O estudo também leva em conta as oportunidades do mercado nesses países, as políticas em relação às empresas privadas, o sistema fiscal, o mercado de trabalho e o desenvolvimento de infra-estruturas. 
    O relatório destaca as disparidades registradas na zona do Euro, que conta com alguns dos países com melhor clima empresarial do mundo desenvolvido, como Finlândia (2o lugar) e Irlanda (6o lugar), mas também com alguns dos piores classificados, como a Grécia (44o lugar) e Itália (38o lugar). Os EUA caíram da quinta posição à oitava, devido, entre outros fatores, às preocupações pela estabilidade macroeconômica do país.
    A maioria dos países latino-americanos analisados perdeu posições no ranking, que leva em conta mais de 90 fatores, entre eles a atração do clima empresarial das nações estudadas, seu contexto político e econômico e sua estabilidade macroeconômica.
    O Chile, melhor país latino-americano classificado, com pontuação de 7,81, perdeu duas posições e passou do 20o lugar para o 22o no período entre 2001 e 2005. Também perdem posições México, que passa do 40o ao 42o com 6,88 pontos; Brasil, do 42o a 45o com 6,74 pontos, e Costa Rica, do 46o ao 49º com 6,43 pontos; Colômbia, que passa do 51o lugar para o 55º, e El Salvador, que passa do 47o para o 56o. A Argentina e a República Dominicana, por outro lado, se mantêm nas posições 57 e 66, respectivamente, enquanto o Peru passa do 55o lugar para o 59o. Os piores classificados são o Equador, que passa do 65o lugar para o 72o em 2006-2010; a Venezuela, que retrocede do 70o lugar para o 77o, e Cuba, que passa do 80o para o 81o.

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Balanços, a próxima revolução silenciosa: XBRL na SEC

    A padronização de normas contábeis vai permitir a adoção da eXtensible Business Reporting Language (XBRL), nova linguagem de computador que faz softwares diferentes se comunicarem entre si sem erros, integrando balanços. Com ela as empresas vão evitar o trabalho de redigitar volumes imensos de cifras de um relatório financeiro para outro quando precisam integrar informações contábeis, o que compromete a eficiência”, afirma Edison Arisa Pereira, presidente do Ibracon - Instituto dos Auditores Independentes do Brasil.
    Nos EUA, a SEC criou o VFP, (ou “Programa Voluntário de Arquivamento”) em que companhias inscritas enviam seus arquivamentos para a SEC em formato XBRL em caráter experimental. Recentemente, o órgão norte-americano estendeu o prazo de adesão ao VFP até o dia 10 de março e, ao que tudo indica, vai fazer de tudo para agilizar a adoção da linguagem como padrão do sistema EDGAR, embora não haja uma data estabelecida. Isso também já vale para as empresas brasileiras com ADRs níveis 2 e 3, portanto é uma ótima oportunidade para começar. Todos devem estar atentos a essa revolução silenciosa, que envolve, além do departamento de RI, contadores, auditores, analistas, investidores e profissionais de TI. 
    A XBRL já está em uso em alguns países: o FDIC (equivalente ao Fundo Garantidor de Créditos) requer que bancos reportem dados em XBRL; a SEC (a CVM norte-americana) iniciou um programa de voluntários para reportar informações em XBRL. Mas para que a linguagem funcione, ela precisa de um dicionário - as taxonomias. Como cada país regulamenta a contabilidade de uma maneira, uma taxonomia específica é indispensável para fazer a ponte. Com a padronização, seria desnecessário.

    Linguagem inteligente
– O conceito por trás da linguagem XBRL é bem simples. Suponhamos que um investidor acesse um demonstrativo de resultados de uma empresa. Seja o acesso feito via relatório impresso ou diretamente pelo website, as informações são estáticas. Nada passa de um bloco de caracteres, texto ou dados que interpretamos. Esse mesmo demonstrativo em formato XBRL confere a cada item de informação identificação própria, capaz de ser interpretada por software. A informação ou dado se torna “inteligente”. 
    Ou seja, ao interpretar um valor na linha de “despesas operacionais”, por exemplo, um computador vai saber o significado do valor e da linha e diferenciá-las das demais. Não é à-toa que não raro o XBRL é tido como uma espécie de código de barras. 
    Os benefícios desta linguagem são muitos e claros. A padronização é um ponto crucial. Imagine um departamento de RI apresentando seus resultados trimestrais. Hoje, isso é feito necessariamente de maneira redundante, pois não existe um padrão para que os dados se adaptem aos diversos formatos de distribuição. O RI informa os resultados para a CVM em PDF via IPE, envia para os canais de wire como texto, publica em seu website em ASP ou HTML, imprime para a reunião pública com investidores e, se tiver ADR Nível 2 ou 3, envia para a SEC em HTML. 
    Com um modelo-padrão é possível montar qualquer tipo de relatório em instantes, substituindo a inserção manual de dados. Isso representa um ganho em governança corporativa uma vez que há um enorme salto qualitativo das informações prestadas ao mercado, pois a automatização confere mais precisão aos dados. 
    Segundo Edson Luiz Riccio (PhD), professor da USP e diretor do Tecsi – Laboratório de Tecnologia e Sistemas de Informação, o maior desafio para a adoção do XBRL no País é falta de obrigatoriedade por órgãos como a CVM e a Bovespa. “Por ser o Brasil um dos muitos países onde existe a tradição do chamado Code Law é natural que as empresas só adotem certas práticas quando isso se torna lei”, avalia. 
    “O Ibracon, por sua vez, ainda não tomou nenhuma resolução a respeito da adoção do XBRL, considerando que no Brasil o assunto ainda não ganhou escala. Mas apoiamos soluções que tragam mais segurança e praticidade aos processos de elaboração e divulgação de demonstrações contábeis, que é o que o XBRL permite”, diz Edison Arisa. “O XBRL deverá transformar, de forma fundamental, a produção, processamento e análises das informações financeiras, aumentando a eficiência e a relação custo-benefício”, acredita. 
    O Ibracon, juntamente com a CVM e a Comissão Consultiva de Normas Contábeis da CVM, vem elaborando e colocando em audiência pública, minutas de pronunciamentos e deliberações e que têm por objetivo reduzir gradativamente as assimetrias existentes entre as práticas contábeis brasileiras e as práticas contábeis internacionais. 

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ABVCAP tem novo presidente

    Em cerimônia realizada na Bovespa, dia 12 de Junho, foi empossada a nova diretoria da ABVCAP – Associação Brasileira de Private Equity & Venture Capital, presidida por Marcus Regueira, sócio da gestora FIR Capital. O evento contou com a presença de representantes de importantes Fundos de Pensão do País e de representantes do BNDES, Finep, Bovespa, ABDI, e de entidades de classe como a Adeval
    O novo presidente da entidade tem como desafio incrementar a participação dos Fundos de Pensão e Fundos de capital estrangeiro em investimentos de private equity e venture capital no Brasil, inclusive promovendo, em parceria com a ABDI, dois “show room” – eventos de marketing institucional nos EUA, em Setembro. 

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Revolução na educação de Finanças e “investment grade”

    O Banco Central do Brasil divulgou o Comunicado 14.259 (de 10 de Março de 2006) que revoluciona, antecipa etapas de melhoria, define rumos e estratégia, promove e reposiciona as informações financeiras derivadas da contabilidade bancária no Brasil. A opinião é de Nelson Carvalho, Professor da FEA-USP, e Presidente, Conselho Consultivo de Normas, IASB, Londres, Inglaterra.
    “Não tenho dúvidas de que esta iniciativa terá profundos efeitos positivos na redução de custos de captação de recursos financeiros não apenas para a indústria bancária mas, ademais, para os demais setores da economia brasileira.
    Também não tenho dúvidas de que este movimento ensejará continuidade e extensão a outras atividades empresariais, reguladas ou não-reguladas, bem como promoverá o início de profunda reforma na educação de Finanças, economia, contabilidade e direito em nosso País.
    Segundo Carvalho, os efeitos benéficos desta ousada iniciativa, merecedora de aplausos e de todo o apoio para o imenso trabalho que trará à nossa frente, resvalará para países vizinhos bem como para outras jurisdições com características semelhantes às nossas, de economias emergentes.
    É ademais perceptível que o Banco Central deu início a um processo sólido, desafiador porém amplamente comprometido em trazer o setor empresarial brasileiro mais em linha com as diversas atitudes de ajustes da economia brasileira para nos aproximarmos mais, e mais rapidamente, do tão desejado grau de ‘investment grade’.
    Para Carvalho, o comunicado do Banco Central coroa décadas de esforços de muitos, no Brasil e fora dele, rumo a um robusto conjunto de normas contábeis que explicitem adequadamente, em linguagem universalizada, despida de xenofobias e de casuísmos, o desempenho empresarial e os fluxos de caixa futuros dele esperados, tais como fotografados e divulgados nas demonstrações financeiras ou contábeis das empresas.
    “É um momento de glória, de conquista de um patamar ao lado das economias mais desenvolvidas do planeta, e de consagração da luta de todos nós que, longamente, travamos para dar à contabilidade financeira ou societária sua verdadeira condição de veículo de informação para a tomada de decisões econômicas.”

Guerra contábil – “Permitam-me um momento de extrema euforia ao afirmar que a guerra por melhores informações contábeis e nos relatórios financeiros, agora, de fato começa a ser ganha entre nós.
    A partir de 2010, portanto, em data totalmente semelhante às datas dos demais países, inclusive os desenvolvidos, a indústria bancária brasileira estará falando uma única – e a mais consistente, tecnicamente – linguagem contábil para comunicação com acionistas, credores, clientes, empregados e fornecedores.
    “Creio que devemos todos, crentes nessa meta e nessa missão, dizer “Obrigado’ aos diretores, profissionais e técnicos do Banco Central”.

    O Comunicado – O Comunicado 14.259, informa os procedimentos para a convergência das normas de contabilidade e auditoria aplicáveis às instituições financeiras e às demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil com as normas internacionais promulgadas pelo International Accounting Standards Board (IASB) e pela International Federation of Accountants (IFAC) e determina: 

    1) No âmbito do Banco Central do Brasil, o desenvolvimento de ação específica, a ser concluída até 31 de Dezembro de 2006, com o objetivo de identificar as necessidades de convergência às normas internacionais de contabilidade e às normas internacionais de auditoria, promulgadas, respectivamente, pelo IASB e pela IFAC, aplicáveis às instituições financeiras. 
    2) A partir de referido diagnóstico, serão editados normativos objetivando a adoção de procedimentos para a elaboração e publicação de demonstrações contábeis consolidadas em consonância com os pronunciamentos do IASB a partir de 31 de Dezembro de 2010, bem como a observância das normas editadas pela IFAC para a prestação de serviços de auditoria independente no âmbito do Sistema Financeiro Nacional. 
    3) Dentro do horizonte do projeto, inclusive na fase de diagnóstico, o Banco Central do Brasil, a exemplo do que já vem desenvolvendo nos últimos anos, adotará os procedimentos necessários para atingir os objetivos de convergência, de modo a que as normas para a implementação em 2010 sejam editadas com a maior brevidade possível. 
    4) O Banco Central do Brasil promoverá o acompanhamento contínuo das normas editadas pelo IASB e pela IFAC, de modo a garantir que, uma vez obtida a convergência, essa seja mantida. 

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Rede de comunicações Bovespa, BM&F e CBLC

    Através de Comunicado Externo Conjunto, datado de 6 de Abril/2006, a Bovespa, BM&F e CBLC informam que foi finalizada com sucesso a fase piloto da nova RCCF – Rede de Comunicações da Comunidade Financeira, que atenderá as três instituições.
    No dia 11, foi feita a apresentação no auditório da Bovespa, mostrando as características da nova rede e o processo de migração, com o respectivo cronograma de implantação. A migração para a nova estrutura de rede e serviços deverá contemplar todas as instituições, já que, até 31/7/2006, haverá a desativação total das estruturas que as atendem atualmente.

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“Bovespa Vai Até Você”: 300 mil pessoas atendidas 

    O programa “Bovespa Vai Até Você”, iniciativa para popularizar o mercado de Ações, iniciado em 2002, atingiu em Maio/2006 a marca de 304 mil pessoas atendidas e 3.016 eventos realizados. Só neste ano quase 38 mil pessoas puderam conhecer de perto o mercado acionário e foram recebidos cerca de 5.500 contatos nos canais de atendimento do programa.
    Outro dado que vale ressaltar é o crescimento do número de Clubes de Investimento, uma das formas mais simples e fáceis de participar do mercado de ações. Atualmente, são mais de 1.450 clubes, que reúnem 121 mil cotistas e detêm R$ 8,3 bilhões em patrimônio investido.
    A esses números somam-se 55.268 contatos nos canais de atendimento, 1.028 atendimentos do Bovespa Delivery (equipe da Bolsa que vai até grupos interessados em formar clubes de investimento). A atuação por segmento do programa também impressiona:
    • O Bovespa Vai à Fábrica/Empresas, realizou 115 eventos em empresas de diversos Estados do Brasil, e foram firmadas parcerias com duas das principais centrais sindicais do País – a CGT - Confederação Geral dos Trabalhadores e a Força Sindical, além de eventos na CUT – Central Única dos Trabalhadores.
    • Bovespa Vai à Universidade, visitou 2.665 universidades de 16 estados, beneficiando cerca de 243.500 pessoas.
    • Bovespa Vai à Praia: quase 84 mil pessoas atendidas - o já percorreu o litoral de São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
    • Bovespa Vai aos Municípios: já foram atendidos 195 municípios de oito regiões paulistas, no programa criado em parceria com a APM - Associação Paulista de Municípios e o Cepam - Centro de Estudos e Pesquisas de Administração Municipal (Cepam). 
    • Feiras e exposições: participação em 134 eventos – feiras, congressos e exposições, buscando ampliar o conhecimento dos mais diversos tipos de público sobre os conceitos do mercado de capitais. 
    • Programa Mulheres em Ação - Só em 2005, participou de 38 eventos, atingindo quase 12 mil mulheres. Em 2006, entre todos os eventos realizados destacam-se: o 2º Fórum Mulheres em Ação (em Abril), e o 1º Encontro de Conselhos da Mulher Empreendedora do Interior. 

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Empréstimos de ações: ferramenta anti-risco

    O mercado já pode acompanhar em tempo real todas as etapas do processo de empréstimo de ações. Conforme comunicado enviado pela Bovespa, a CBLC – Cia. Brasileira de Liquidação e Custódia acaba de lançar o BTC Trades - ferramenta que permite a transmissão on-line, por meio de mensagens, das operações do seu banco de títulos. 
    O aplicativo permite a atualização em tempo real dos sistemas de controle de empréstimo de ativos, amplia a capacidade de registro dos negócios nas Mesas de Operações e cria condições para que o fluxo de informações seja automatizado, reduzindo, assim, o risco operacional. 
    Com essas funcionalidades, a partir de uma única tela, os operadores poderão confirmar, por exemplo, o fechamento de uma operação de forma imediata e também informar a seus clientes sobre as ofertas disponíveis para tomadores e doadores de empréstimos de ações, a cada etapa da operação, diz o comunicado. 
    O aplicativo já está disponível a todas as Corretoras interessadas, oferecendo, neste primeiro momento, a transmissão on-line do registro e fechamento das operações. 

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Livros 

    IMF Companhias Abertas 2005/2006 – o Guia das Empresas Brasileiras de Capital Aberto. A obra, da IMF Editora Ltda. Conta com apóio institucional da Bovespa, com 596 páginas, contém informações sobre 565 empresas - www.imf.com.br - e todas as entidades do Mercado Financeiro e de Capitais. Imprescindível para quem atua no Mercado Financeiro e de Capitais.

    Judiciário ao Alcance de Todos – Noções básicas de juridiquês - Ediouro – 78 páginas – AMB – Associação dos Magistrados do Brasil - A obra é uma desafiadora a iniciativa da AMB de alterar a cultura lingüística dominante na área do Direito e acabar com textos em intrincado juridiquês. Aborda o Judiciário e a Mídia; expressões latinas e expressões jurídicas, Recursos – procedimentos e cartórios extrajudiciais; serviços – com telefones, links de sites jurídicos etc. A Justiça deve ser compreendida em sua atuação por todos e especialmente por seus destinatários. Compreendida, torna-se ainda mais imprescindível à consolidação do Estado Democrático de Direito. www.amb.com.br

    Mercado de Capitais e Crescimento Econômico – lições internacionais e desafios brasileiros – Organizado por Edmar Bacha e Luiz Chrysostomo de Oliveira Filho – Apresentação: Alfredo Egydio Setúbal; Prefácio: Pedro S. Malan, 416 páginas, editado por Contra Capa Livraria Ltda. www.contracapa.com.br 

    EnFin – Enciclopédia de Finanças – Luiz Fernando Rudge – Editora Saraiva - www.saraiva.com.br -, 382 páginas. A obra procura decodificar a enormidade de termos técnicos de finanças de maneira corretora, atual e imparcial. Reúne mais de 2.400 verbetes e expressões, aos quais foram adicionados acepções em formato compacto, de fácil compreensão e atualidade de conhecimentos. Fundamental para quem se interessa ou atua no Mercado Financeiro e de Capitais.

    O Diretor Executivo no Direito Brasileiro – Leslie Amendolara e Adilson Sanches, 134 páginas, Editora Forense Universitária -  www.forenseuniversitária.com.br -. A obra é um minucioso estudo sobre a ainda controversa natureza jurídica das responsabilidades, quer no âmbito societário, do direito trabalhista, previdenciário, ambiental e do consumidor do Diretor Executivo à luz do Direito comparado.

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Corretoras: expansão geográfica e capacitação

    Várias Corretoras como a Socopa, Souza Barros, Fator, Ágora Sênior, Interfloat, Coinvalores e outras já estão se preparando para estabelecer pontos em outras praças aproveitando o material de apoio do programa “Expansão Geográfica das Corretoras”, encomendado pela Bovespa ao Grupo Cherto. Com a interiorização ou a ida das Corretoras para outras capitais, a expectativa é de que o volume atual da Bolsa aumente entre 35% e 60%. Afinal, foram analisados mais de 2 mil municípios brasileiros, faixa de consumo, volume de gastos, número de veículos e participação da cidade no PIB, mapeados os mercados com investidores pessoas-físicas potenciais e o estudo selecionou os mais promissores. 
    A população com renda mensal a partir de R$ 9 mil, foi o principal alvo do estudo, mas o espaço físico e a presença de profissionais locais no contacto com pessoas da região é vital, para ter respostas. 
    Marcelo Cherto afirma que o material preparado para as Corretoras, incluído nove pastas com informações, CDs, planilhas precisa ser ajustado à realidade de cada Corretora. No caso da Franquia, mostra como constituir a empresa, implantar, escolher ponto comercial, contratar recepcionista, pessoal etc. – desde a implantação, rotinas operacionais, recursos humanos, marketing local, gestão administrativa financeira e operacional. A partir daí, cada uma vai desenvolver o projeto ou contratar uma consultoria para fazê-lo.

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AÇÃO - AGENDA

A interação com o mercado e debates

    A participação em reuniões, almoços, seminários, palestras etc., em eventos congregando dirigentes de Entidades de Classe, autoridades, políticos e especialistas, para debate de temas conjunturais, marcaram a Agenda do presidente Ney Castro Alves, e da diretoria da Adeval, nos meses de Abril a Junho de 2006. Dentre os diversos eventos destacam-se:

Abril/2006

03 a 05 – Realização da 47ª Reunião Anual da Assembléia de Governadores do BID - Banco Interamericano de Desenvolvimento e 21ª Reunião anual da Assembléia de Governadores da IIF - Corporação Interamericana de Investimentos, em Belo Horizonte. Nela, foi feita uma convocação à América Latina e ao Caribe para fechar o hiato entre o melhor desempenho econômico e os persistentes problemas de pobreza e desigualdade. Para o Brasil, a mais importante decisão foi a de ampliar os financiamentos para o setor privado, principalmente as PPPs - Parcerias Público-Privadas.

06 – Assinatura do Convênio para Qualidade Premium do algodão brasileiro, a convite da BM&F, com a participação de Peter Graham, presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Algodão.

06 – Abertura do Seminário promovido pelo Sindireceita – Sindicato Nacional dos Técnicos da Receita Federal sobre “O Equilíbrio na Relação Fisco-Contribuinte – Defender o contribuinte: uma questão de cidadania”, com a participação de Deputados e Senadores, do Governador do Estado de São Paulo e Presidentes de Entidades de Classe.

07 – Premiação dos vencedores do simulado “Folhainvest em Ação 2005”, promovido pela Bovespa, jornal Folha de São Paulo e CNB.

12 - Reunião do Conselho Consultivo da BM&F.

20 a 23 – Fórum Empresarial promovido pelo Lide – Grupo de Lideres Empresariais.

25 - Entrega do prêmio “Lideres Empresarias estaduais e setoriais” eleitos pelo Fórum de Líderes da Gazeta Mercantil.

26 – Reunião da CNF.

26 - Workshop promovido pelo Lide com palestra de Edson G. Bueno, presidente da AMIL, sobre o tema Eficiência na Gestão de Pessoas e Empresas”.

27 - Seminário BM&F/iFHC sobre Energia e Crescimento: Cenários para a Economia Mundial e Oportunidades para o Brasil.

28 - Almoço promovido pelo Ibef com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

Maio/06

04 - Seminário promovido pela BM&F sobre “Perspectivas para o Agribusiness em 2006-2007”, com a participação do Governador Cláudio Lembo e do Ministro Roberto Rodrigues.

05 – Reunião do Codemec.

05 – Lançamento do Programa de Qualificação Operacional do setor de intermediação e do Selo de Qualidade BM&F.

08 – Lançamento do livro de Fernando Henrique Cardoso: Arte da Política: a história que vivi.

09
- Almoço promovido pela Bovespa com palestra de Thomás Tosta de Sá sobre o tema “Novo Modelo Previdenciário”

22 - Entrega de prêmio “Bem Sucedidos 2006”, promovido pela Revista Banco Hoje

23 - Almoço do Conselho da Bovespa e convidados para apresentação da pesquisa sobre jovens, elaborada pela Ação Jovem do Mercado de Capitais.

26 – Reunião-Almoço promovida pela Adeval com o Presidente do Banco Central, Henrique Meirelles (ver matéria nesta edição).

29 – Lançamento do Código de Auto Regulação Anbid para Private Banking.

Junho/06

05 a 06 – 8º Encontro Abrasca/Ibri – Instituto Brasileiro de Relações com Investidores.

05 a 08 – 31a. Conferência da Iosco – Organização Internacional das Comissões de Valores, realizada em Hong Kong.

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MERCADO FINANCEIRO DE CAPITAIS

Melhores práticas de Prevenção à Lavagem de Dinheiro

    A ABBI – Associação Brasileira de Bancos Internacionais preparou importante documento sobre “Melhores práticas de Prevenção à Lavagem de Dinheiro”, um trabalho consultivo que compilou as melhores práticas adotadas pelas instituições participantes da entidade e de grande importância para Corretoras e Distribuidoras de Valores.
    Tudo começou quando em uma discussão iniciada no Comitê de Compliance da ABBI - Associação Brasileira dos Bancos Internacionais, percebeu-se a necessidade da consolidação em um único documento das melhores práticas com relação ao assunto “Prevenção e Combate às Atividades de Lavagem de Dinheiro”. Existe literatura própria sobre o tema, inclusive diversos livros sobre o assunto, entretanto, muitos deles abordam exclusivamente os normativos ou a análise sobre a legislação. 
    Por ser, de certa forma, um assunto ainda novo no Brasil, conclui-se que existe uma necessidade de criação e compilação daquilo que poderia ser determinante e um ponto de início para o estabelecimento das boas práticas para a prevenção de operações suspeitas. 
Nesse sentido, e verificando que os procedimentos que cada instituição vem adotando para combater e prevenir a lavagem de dinheiro são bem amplos, interessantes e diferenciados, constatou-se que o compartilhamento dessas experiências, técnicas ou ferramentas de controle poderia incrementar de uma maneira mais uniforme a prevenção às atividades de lavagem de dinheiro pelas instituições financeiras e/ou autorizadas a operar pelo Banco Central do Brasil. Desta discussão, surgiu a idéia de se elaborar um trabalho consultivo, compilando as melhores práticas adotadas pelas instituições participantes da ABBI. 
    O trabalho iniciou-se com um questionário que abrangeu diversas questões relacionadas ao tema. Este questionário foi respondido por 32 instituições associadas à ABBI e seguiu como ponto de partida para o desenvolvimento do trabalho. Além das respostas ao questionário, o grupo de estudos baseou-se em suas próprias experiências e conhecimentos, realizou pesquisas amplas em diversas fontes nacionais e internacionais e diversas reuniões para discussão do material. Ele tem quatro Capítulos que tratam de:

1) Capítulo I – Histórico, Lavagem de Dinheiro, Coaf – Conselho de Controle de Atividades Financeiras.
2) Capítulo II – Ferramentas de Controle – Cadastro de Clientes, Conheça seu Cliente (Know Your Client), Aprovação de Clientes, Conheça seu Funcionário (Know Your Employee), Avaliação de Produtos, Procedimentos de Controle e Monitoramento de Operações. 
3) Capítulo III – Informações Às Autoridades Locais e Internacionais – Jurisdição das Autoridades Administrativas Brasileiras; Comunicações ao Banco Central do Brasil: Pcaf500, CVM, Susep, Previc, Coaf, Anteprojeto da Lei 9.916/1998.
4) Capítulo IV – Legislação - Base Normativa: Normas Correlatas (Leis Federais e Normas do Coaf), Banco Central do Brasil, CVM, Susep, Entidades Fechadas de Previdência Privada – EFPP, Ministério da Fazenda. 

    O estudo mostra que lavar dinheiro nada mais é do que transformar dinheiro sujo (origem ilícita) em dinheiro limpo (origem lícita), e os mecanismos mais utilizados no processo envolvem teoricamente três etapas independentes que, com freqüência, ocorrem simultaneamente:

    1) Colocação – a primeira etapa do processo é a colocação do dinheiro no sistema econômico. Objetivando ocultar sua origem, o criminoso procura movimentar o dinheiro em países com regras mais permissivas e naqueles que possuem um sistema financeiro liberal. A colocação se efetua por meio de depósitos, compra de instrumentos negociáveis ou compra de bens. Para dificultar a identificação da procedência do dinheiro, os criminosos aplicam técnicas sofisticadas e cada vez mais dinâmicas, tais como o fracionamento dos valores que transitam pelo Sistema Financeiro e a utilização de estabelecimentos comerciais que usualmente trabalham com dinheiro em espécie. 

    2) Ocultação – a segunda etapa do processo consiste em dificultar o rastreamento contábil dos recursos ilícitos. O objetivo é quebrar a cadeia de evidências ante a possibilidade da realização de investigações sobre a origem do dinheiro. Os criminosos buscam movimentá-lo de forma eletrônica, transferindo os ativos para contas anônimas – preferencialmente, em países amparados por lei de sigilo bancário – ou realizando depósitos em contas “fantasmas”. 

    3) Integração – nesta última etapa, os ativos são incorporados formalmente ao sistema econômico. As organizações criminosas buscam investir em empreendimentos que facilitem suas atividades – podendo tais sociedades prestar serviços entre si. Uma vez formada a cadeia, torna-se cada vez mais fácil legitimar o dinheiro legal. 

    Nos seus nove capítulos o trabalho mostra: Histórico da Lavagem de dinheiro; Ferramentas de controle; Cadastro de clientes; Conheça seu cliente (know your client), Aprovação de clientes; Conheça seu funcionário (know your employee); Avaliação de produtos; Procedimentos de controle e monitoramento de operações; Informações às autoridades locais e internacionais; Jurisdição das autoridades administrativas brasileiras; Comunicações ao Banco Central, CVM, Susep, Previc, Coaf, Legislação. 
    Hoje em dia, infelizmente, as estatísticas já apontam para a cifra de um trilhão de dólares lavados por ano no mundo. Diante deste montante estarrecedor, tanto agências reguladoras quanto instituições financeiras viram -se compelidas a tomar atitudes efetivas com o propósito de reprimir este crime. 

    Setores mais visados – Segundo o COAF – Conselho de Controle de Atividades Financeiras, órgão no âmbito do Ministério da Fazenda, alguns setores são muito visados no processo de Lavagem de Dinheiro, sendo os mais conhecidos: Instituições Financeiras, Paraísos fiscais e centros “offshore”, Bolsas de Valores, Companhias Seguradoras, Mercado Imobiliário, Metais Preciosos, Jogos e Sorteios.
    O estudo da ABBI mostra exemplos de lavagem de dinheiro em: 1) Montagem de estrutura com utilização de Treasury Bills (“T Bills” – títulos de curto prazo; 2) Clube de Investimentos; 3) Convênio de folha de pagamento; 4) Mercado de Câmbio de Taxas Flutuantes; 5) Investimento Estrangeiro Superavaliado.
    E revela alguns procedimentos e controles relacionados com a atividade de Cadastro de Clientes e que fortalecem sua atuação, como Ficha Cadastral, Segregação das Contas, Responsabilidade por Gerente, Contas movimentadas por procuração, Correspondências, Revisão e Atualização do Cadastro, interação com a Serasa, Bloqueio Interno de Contas Com Pendências, Qualificação do Cliente (Sensibilidade).
    Nas instituições internacionais os principais tópicos abordados são: 1) Manuais de PLD (Prevenção à Lavagem de Dinheiro); 2) Política de Compliance e Aceitação de Clientes (KYC – Know Your Client); 3) Exigências da legislação brasileira; 4) Procedimentos preventivos; 5) Comunicação ao Banco Central do Brasil; 6) Exemplos de operações suspeitas; 7) Procedimentos de controles específicos das áreas Tesouraria Administrativa e processamento de operações de Câmbio; 8) Treinamento; 9) Intranet; 10) Conflito de Interesses e Chinese Wall; 11) Prevenção e Controle de Fraudes, 12) Código de Ética e Conduta. 
    A integra do trabalho sobre “Melhores Práticas de Prevenção à Lavagem de Dinheiro”, bem como trabalhos especiais sobre a “Função do Compliace” podem ser obtidas no site da entidade: http://www.abbi.com.br/trabalhos.php
    O objetivo é servir como um guia para auxiliar os seus leitores em assuntos de natureza prática relacionados à Prevenção e Combate às Atividades de Lavagem de Dinheiro, e ao Compliance.

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OPINIÃO

Derivativos: 9,9 bilhões de contratos
Ney Castro Alves (*)

    Um recorde! Exatos 9.899.780.283 de contratos foram negociados nas Bolsas de Futuros e Opções de todo o mundo em 2005, segundo estudo que acaba de ser divulgado pela FIA – Futures Industry Association. Esse fantástico volume dá bem uma idéia da importância da gestão do risco para produtores, comerciantes, investidores institucionais, pessoas-jurídicas financeiras e não-financeiras e investidores estrangeiros que buscam proteger-se contra o risco de variação de preços nos segmentos de mercado onde atuam. 
    As estatísticas revelam um incrível crescimento de 312,5% em relação a 1999, e uma evolução constante: 2,4 bilhões em 1999; 3,0 bilhões no ano 2000; 4,4 bilhões em 2001; 6,2 bilhões em 2002; 8,2 bilhões em 2003; 8,9 bilhões em 2004, e 9,9 bilhões em 2005. 
    O Brasil tem papel de destaque no ranking das principais Bolsas do Mundo: a BM&F ocupa o 5o lugar entre as 40 maiores Bolsas de Futuros (não inclui Opções); e a Bovespa ocupa o 8o lugar no ranking das 58 maiores Bolsas de Futuros e Opções. 

    As maiores Bolsas de Futuros e Opções
– Quem é responsável por todo esse crescimento? Embora estejamos vendo em todo o mundo a descoberta de preços e o gerenciamento de risco – principalmente na China, Índia, Brasil e Taiwan – o número de Bolsas não cresceu. Enquanto novas Bolsas foram adicionadas à lista, número igual saíram. A FIA registra 58 Bolsas de Futuros e Opções e Mercado a Termo hoje, contra 59 em 1999. 
    O que cresceu foram os volumes negociados principalmente nas 5 maiores Bolsas: em 1999, a Eurex, CBOT, CBOE, CME e a Monep, detinham 53% do volume; em 2005, a Korea Exchange, Eurex, CME, Euronext e CBOT que responderam por 6,37 bilhões de contratos negociados, 64% do volume mundial. E as 10 primeiras (onde se inclui a Bovespa, em 8o lugar) respondem por 80% do total.
    No ranking das 58 Bolsas que incluem o volume de Futuros e Opções (Global Futures and Options), do topo das cinco Bolsas hoje, a líder Korea Exchange teve, sem dúvida o maior crescimento de volume, avançando incríveis 2.570%, de 97,1 milhões de contratos negociados em 1999 para 2,59 bilhões de contratos em 2005. As outras Bolsas também experimentaram crescimento excepcional: a Eurex, cresceu 230%, com 1,25 bilhões de contratos negociados em 2005; a CME cresceu 443% (com 1,09 bilhão de contratos); a Euronext.liffe 156% (757,9 milhões) se considerada a consolidação das Bolsas de Paris, Belfox, Amsterdã, Lisboa e Liffe; a CBOT 165% (674 milhões de contratos); a BM&F 232% (187,8 milhões). 
    Recém-chegados notáveis incluí a Bovespa – Bolsa de Valores de São Paulo (8a no ranking), com 268,6 milhões de contratos; a Mexican Derivatives Exchange (15a) com 108,2 milhões; a National Stock Exchange of Índia (14a), com 131,7 milhões; a Dalian Commodity Exchange (17a), com 99,2 milhões. 

Global Futures and Options Volume

2005
Ranking
Bolsa  2005 Volume 2004 Volume Variação
%
1 Korea Exchange 2.593.088.445  2.586.818.602 0,2%
2 Eurex  1.248.748.152 1.065.639.010 17,2%
3 Chicago Mercantile Exchange  1.090.351.711 1.090.351.711 35,4%
4 Euronext.liffe  757.926.860 790.761.844 -4,2%
5 Chicago Board of Trade 674.651.393 599.994.386 12,4%
6 Chicago Board Options Exchange  468.249.301 361.086.774 29,7%
7 Intemational Securities Exchange  448.695.669 360.852.519 24,3%
8 Bovespa 268.620.460 235.349.514 14,1%
9 New York Mercantile Exchange  204.611.537 163.157.807 25,4%
10 American Stock Exchange  201.631.832 202.680.929 -0,5%
11 Bolsa de Mercadorias & Futuros 199.446.464 183.427.938 8,7%
12 Philadelphia Stock Exchange  162.596.932 133.401.278 21,9%
13 Pacific Exchange  144.780.498 103.262.458 40,2%
14 National Stock Exchange of India  131.651.692 75.093.629 75,3%
15 Mexican Derivatives Exchange  108.177.276 210.395.264 -48,6%
16 OMX Exchanges 103.509.936 95.047.814 8,9%
17 Dalian Commodity Exchange  99.174.714 88.034.153 12,7%
18 Taiwan Futures Exchange  92.659.768 59.146.376 56,7%
19 London Metal Exchange  78.628.852 71.906.901 9,3%
20 Boston Options Exchange   78.202.185 20.741.271 277,0%
21 Tel-Aviv Stock Exchange  70.088.945 43.375.943 61,6%
22 Sydney Futures Exchange  63.324.966 53.969.445 17,3%
23 Tokyo Commodity Exchange 61.814.289 74.511.734 -17,0%
24 JSE Securities Exchange South Africa  51.318.175 38.347.861 33,8%
25 Osaka Securities Exchange  44.172.264 32.626.063 35,4%
26 ICE Futures (former1y IPE)  42.055.085 35.540.783 18,3%
27 MEFF Renta Variable  40.217.657 28.740.007 39,9%
28 New York Board of Trade  37.945.585 31.729.591 19,6%
29 Shanghai Futures Exchange  33.789.754 40.577.373 16,7%
30 Bourse de Montreal  28.685.391 21.815.128 31,5%
31 Zhengzhou Commodity Exchange  28.472.570 24.237.274 17,5%
32 Singapore Exchange  26.026.128 28.418.757 -8,4%
33 ltaIian Derivatives Market  25.870.521 18.272.516 41,6%
34 Tokyo Grain Exchange  25.600.339 25.744.922 -0,6%
35 Hong Kong Exchanges & Clearing  25.523.007 19.629.692 30,0%
36 Tokyo Stock Exchange  24.349.760 19.612.565 24,2%
37 Australian Stock Exchange  23.587.690 20.485.729 15,1 %
38 Central Japan Commodity Exchange  21.949.566 33.193.259 -33,9%
39 Mercado a Termino de Rosario  13.415.449 8.163.545 64,3%
40 Tokyo Financial Exchange  11.098.338 7 7.657.510 44,9%
41 Budapest Stock Exchange  8.913.470 4.254.595 109,5%
42 Oslo Stock Exchange  6.200.067 5.351.734 15,9%
43 Warsaw Stock Exchange  5.587.515 3.687.877 51,5%
44 OneChicago  5.528.046 1.922.726 187,5%
45 Kansas City Board of Trade  3.953.536 3.089.103 28,0%
46 Bursa Malaysia Derivatives Berhad  2.459.745 2.632.543 -6,6%
47 Eurex US 2.200.384 6.186.808 -64,4%
48 Winnipeg Commodity Exchange  2.076.630 2.054.296 1,1%
49 Osaka Mercantile Exchange  1.602.257 3.842.553 -58,3%
50 Minneapolis Grain Exchange  1.422.386 1.416.282 0,4%
51 Wiener Boerse 1.045.306 2.242.475 -53,4%
52 New Zealand Futures Exchange  986.073 497.181 98,3%
53 Kansai Commodities Exchange  937.201 2.806.740 -66,6%
54 Fukuoka Futures Exchange  891.549 3.036.733 -70,6%
55 Budapest Commodity Exchange  569.479 1.300.726 -56,2%
56 Yokohama Commodity Exchange  384.069 1.164.811 -67,0%
57 CBOE Futures Exchange  177.632 91.332 94,5%
58 Mercado a Termino de Buenos Aires   135.736 85.593 58,6%

Fonte: FIA/Tofapress

    Contratos mais negociados – Igualmente interessante é uma comparação da lista top dos 10 contratos dos mercados a termo e contratos de opções negociados em 1999 contra 2005. Seis dos contratos top da lista dos 10 mais em 1999 ainda estão na lista hoje: Kospi 200 Options, Eurodóllar Futures, Euro-Bund Futures, 10 Year T-Note Futures, Euribor Futures e Euro-Bobl Futures. Em 1999, no topo das 10 da lista também incluiu mercados a termo de  T-Bond norte-americanos e opções (mercados a termo de T-Bond estão atualmente em 15o lugar e opções em 61o), Cac 40 Index Options (em 33o lugar), e Crude Oil (em 21o lugar). Estes contratos foram substituídos por E-míni S&P 500 index futures, Eurodólar Options, Euro Schatz e Euro de DJ Stoxx 50. 

    Os 20 contratos mais negociados são mostrados na tabela abaixo.

Derivativos – Top 20 Contratos 
(Em milhões-net of individual equities)

Ranking

Contrato

2004 2005
1

Kospi 200 Options, Korea Exchange

2.535,2

2.521,6

2

Eurodollar Futures, CME

410,4

297,6

3

Euro-Bund Futures, Eurex 

299,3

239,8

4

10-YearT-Note Futures, CBOT 

215,1

196,1

5

E-mini S&P 500 Index Futures, CME 

207,1

167,2

6

Eurodollar Options, CME 

188,0

130,6

7

Euribor Futures, Euronext,liffe 

166,7

157,7

8

Euro-Bobl Futures, Eurex 

158,3

159,2

9

Euro-Schatz Futures, Eurex 

141,2

122,9

10

DJ Euro Stoxx 50 Futures, Eurex 

139,9

121,7

11

5 Year T-Note Futures, CBOT 

121,9

105,5

12

1-Day Interbank Deposit Futures, BM&F 

121,3

100,3

13

TlIE 28-Day Interbank Rate Futures, Mexder 

99,8

206,0

14

DJ Euro Stoxx 50 Options, Eurex 

90,8

71,4

15

30- Year T-Bond Futures, CBOT 

86,9

72,9

16

Taiex Options, Taifex 

80,1

43,8

17

E-mini Nasdaq 100 Futuras, CME 

72,4

77,2

18

S&P 500 Index Options, CBOE 

71,8

49,5

19

Sterling Futures, Euronext,liffe 

68,0

51,3

20

TA-25 Index Options, TASE 

63,1

36,9

Fonte: FIA/Tofapress

    As maiores Bolsas de Futuros – No ranking de Bolsas de Futuros (onde os volumes não incluem Opções), a FIA classifica 40 Bolsas em todo o mundo, que negociaram um total de 3,95 bilhões de contratos. As 5 primeiras são a CME – Chicago Mercantile Exchange com 883,1 milhões de contratos negociados, seguida da Eurex (784,9 milhões), CBOT (561,1 milhões), Euronext.liffe (343,8 milhões), e a BM&F – Bolsa de Mercadorias & Futuros (187,8 milhões), que negociaram 2,76 bilhões de contratos, ou 70% do total. 
A lista das 10 primeiras também inclui a Nyme – New York Mercantile Exchange (166,6 milhões de contratos negociados), National Stock Exchange of India (116,3 milhões), Mexican Derivatives Exchange (108,0 milhões), a Dalian Commodity Exchange (99,2 milhões), e a London Metal Exchange (70,4 milhões). 
    Esses números retratam o que é esse fantástico mercado de Derivativos. Um fato para o qual já chamávamos a atenção em nosso livro “Mercados Dinâmicos, Princípios eternos” (Dez./1999, Cultura Editores), no Capítulo 4 “Dez anos de risco”. Em relação ao gerenciamento de risco corporativo, dizíamos (pg. 87): “O gerenciamento de risco é essencial na economia de mercado moderna. As estratégias de hedge salvaram muitas firmas de perdas de proporções calamitosas e construíram muitas fortunas”. E, mais adiante: “A maior integração da indústria de Seguros e Derivativos é uma das previsões mais confiáveis para a próxima década. Outra aposta segura, é que a utilização por corporações não-financeiras, principalmente multinacionais, de Derivativos continuará a aumentar.” 

As 40 maiores Bolsas de Futuros
(NÃO INCLUI OPÇÕES)

Ranking 2005

Bolsa

2005 Volume

2004 Volume

Variação %

1

Chicago Mercantile Exchange 

883.118.526

664.884.607

32,8%

2

Eurex

784.896.954

684.630.502

14,6%

3

Chicago Board of Trade 

561.145.938

489.230.144

14,7%

4

Euronext.liffe

343.829.658

311.053.230

10,5%

5

Bolsa de Mercadorias & Futuros

187.850.634

173.533.508

8,3%

6

New York Mercantile Exchange 

166.608.642

133.284.248

25,0%

7

National Stock Exchange of India

116.286.968

67.406.562

72,5%

8

Mexican Derivatives Exchange 

107.989.126

210.355.031

-48,7%

9

Dalian Commodity Exchange 

99.174.714

88.034.153

12,7%

10

London Metal Exchange 

70.444.665

67.171.973

4,9%

11

Tokyo Commodity Exchange 

61.780.446

74.447.426

-17,0%

12

Sydney Futures Exchange 

60.091.807

50.968.901

17,9%

13

Korea Exchange

57.883.098

65.261.326

-11,3%

14

ICE Futures (formerly IPE) 

41.936.609

35.466.941

18,2%

15

JSE Securities Exchange South Africa 

36.456.767

19.811.664

84,0%

16

OMX Exchanges

34.142.225

27.819.175

22,7%

17

Shanghai Futures Exchange 

33.789.754

40.577.373

-16,7%

18

New York Board of Trade 

29.013.416

23.955.212

21,1%

19

Zhengzhou Commodity Exchange

28.472.570

24.237.274

17,5%

20

Singapore Exchange 

25.867.661

28.169.379

-8,2%

21

Tokyo Grain Exchange 

25.573.238

25.705.687

-0,5%

22

MEFF Renta Variable 

24.894.965

17.592.164

41,5%

23

Tokyo Stock Exchange 

22.630.719

18.331.928

23,4%

24

Central Japan Commodity Exchange

21.949.566

33.193.259

-33,9%

25

Bourse de Montreal 

18.240.633

12.900.821

41,4%

26

Osaka Securities Exchange 

18.070.352

14.583.283

23,9%

27

Hong Kong Exchanges & Clearing

13.433.386

11.884.152

13,0%

28

Mercado a Termino de Rosario 

13.051.248

7.735.890

68,7%

29

Tokyo Financial Exchange 

11.057.134

7.655.510

44,4%

30

ltalian Derivatives Exchange 

10.832.975

6.551.211

65,4%

31

Taiwan Futures Exchange 

10.107.749

14.911.839

-32,2%

32

Budapest Stock Exchange 

8.913.470

4.254.595

109,5%

33

OneChicago 

5.528.046

1.922.726

187,5%

34

Warsaw Stock Exchange 

5.378.517

3.609.125

49,0%

35

Kansas City Board ofTrade 

3.690.025

2.834.799

30,2%

36

Bursa Malaysia Derivatives Berhad 

2.459.745

2.632.543

-6,6%

37

Oslo Stock Exchange 

2.359.161

1.748.742

34,9%

38

Eurex US 

2.200.384

6.186.008

-64,4%

39

Winnipeg Commodity Exchange 

2.047.183

2.030.455

0,8%

40

Osaka Mercantile Exchange 

1.602.257

3.842.553

-58,3%

Fonte: FIA/Tofapress

    De fato, hoje, vemos que os valores contratuais em giro nos Mercados Futuros das Bolsas da América do Norte correspondem a mais de 40 vezes o valor do PIB; e a 10 vezes no Brasil. O sistema de controle de risco, os limites e salvaguardas financeiras e a qualidade dos serviços se tornaram vitais no Mercado Financeiro e de Capitais, e para as empresas fixarem preços futuros. Um mercado que mudou dramaticamente de 1999 para cá, multiplicando o volume negociado e a tecnologia, surgindo novos sistemas de negociação, novos produtos Derivativos, a globalização dos mercados, e a conseqüente maior competitividade pela atração dos capitais e pelo lucro. E nossas Bolsas, orgulhosamente, estão à frente desses mercados, propiciando importantes ferramentas de hedge às nossas empresas e ao País.

    (*) Ney Castro Alves, Advogado, é presidente da Theca CCTVM, presidente da Adeval e da Fenadistri, membro dos Conselhos Administrativos da CNF e da Ancor, membro do Conselho Consultivo da BM&F, e membro suplente do CRSFN – Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional.

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REUNIÃO-ALMOÇO
NEY CASTRO ALVES

Mercado homenageia Meirelles

Pronunciamento de Ney Castro Alves, presidente da Adeval, na reunião-almoço de 26 de Maio de 2006, no Nacional Club, em São Paulo, em homenagem ao Presidente do Banco Central, Henrique de Campos Meirelles.

    Senhores convidados, ilustres participantes da mesa, meus amigos do Mercado Financeiro e de Capitais, políticos, autoridades, representantes da Imprensa. É com satisfação que recebemos o Presidente do Banco Central, Dr. Henrique de Campos Meirelles, a exatos 33 meses desde a ultima palestra na Adeval, aqui neste mesmo salão (em 15 de Agosto de 2003).
    Naquela ocasião, o Dr. Meirelles declarou que o desafio era construir as condições de crescer de forma sustentada, a taxas bem mais elevadas que as registradas até aquela ocasião, e por muitos e muitos anos. E que deste crescimento, fruto da ampliação sustentada da capacidade produtiva, que nascerá o novo Brasil que desejamos, com justiça social e distribuição de renda. 
Ressaltou que não se tratava de uma construção fácil. Exigia trabalho sério, perseverança e paciência. E alertou: “aliás, as condições para a retomada já estão dadas”. 
   
Até aquele mês de Agosto de 2003, os índices de crescimento do PIB eram modestos. A partir de então o crescimento se acelerou, e o PIB alcançou 4,9% em 2004. Este fato demonstra que devemos prestar atenção nas palavras do Presidente do Banco Central. Em 2005 o PIB evoluiu 2,3%, mas agora em 2006 estima-se que supere os 4%.
    Determinantes – O Dr. Meireles também comentou, naquela época, que o verdadeiro determinante do crescimento de longo prazo é o nível de investimento de uma economia. Para que o crescimento realmente se materialize de forma sustentada, será necessário mobilizar o volume de investimentos necessário à ampliação da capacidade produtiva. O aumento do volume de investimento, por sua vez, requer que se mobilize a poupança doméstica necessária a financiá-lo. E insistiu em um ponto, o do crescimento sustentável de médio e longo prazo.
    Gostaríamos de salientar que na mobilização de poupança, de lá para cá o Mercado de Capitais deu importante colaboração na destinação de recursos para as empresas, com números recordes. 
    O excelente desempenho só foi possível graças à estabilização da economia e porque o Ministério da Fazenda, o Banco Central, a CVM, a Bovespa e a BM&F, cada um no seu âmbito de atuação, tomaram iniciativas para favorecer a expansão das atividades. 
    A alíquota de IR que havia aumentado para 20% em 2002, diminuiu para 15% e a isenção da cobrança da CPMF, para as operações em Bolsa, foi mantida; foi corrigida a distorção na base de cálculo das contribuições ao Pis e Confins e com a “MP do Bem”, Lei 11.196, os Fundos Imobiliários passaram a ter rendimento isento da alíquota de 20% de IR para pessoas-físicas. 
    O Banco Central e CVM também editaram normativos criando novos produtos e aperfeiçoando a operacionalidade dos já existentes. 
As Bolsas fizeram grandes avanços institucionais com destaque para o esforço da Bovespa para a expansão da base dos negócios bursáteis, e da BM&F na expansão dos negócios com Derivativos e Futuros.
    Resposta rápida – A estabilização da economia e a atuação competente dessas instituições públicas e privadas tiveram rápida resposta. O ano de 2005 foi um ano recorde: empresas de vários portes e setores de atividade levantaram R$ 71,1 bilhões em dinheiro novo através de emissões primárias e secundárias segundo dados da CVM, sendo: emissão de ações (R$ 14,1 bilhões), títulos de renda fixa como Debêntures, Notas Promissórias, Certificados de Recebíveis Imobiliários (R$ 46,2 bilhões), Fundos de Recebíveis (R$ 8,2 bilhões) e outros. 
    Os recursos captados através destes instrumentos equivalem a 37% do total de crédito dos bancos.
    Cerca de 40 novas empresas abriram o capital na Bolsa neste período. A capitalização bursátil das 345 empresas negociadas alcançou 1.061,5 bilhões (+ 4,7%) ou US$ 480,4 bilhões (+ 6,8%). A participação dos investidores mostrou equilíbrio entre pessoas-físicas, 25,7%; institucionais, 27,4%; estrangeiros, 32,7%; instituições financeiras, 11,7%; e empresas 2,3%. O ritmo continuou forte no primeiro trimestre deste ano de 2006.
    Neste semestre, até maio, foram registradas na CVM emissões de R$ 23,2 bilhões e estão em análise R$ 14,6 bilhões.
    Assim, os dirigentes das Corretoras, Distribuidoras Valores e dos Bancos de Investimento podem se orgulhar de estar exercendo bem a sua relevante função de ser a alavanca do desenvolvimento. 
    Risco-País e transparência – O Dr. Meirelles também dizia que a estabilidade macroeconômica, mesmo que acompanhada da confiança de sua permanência, pode não ser suficiente para que um país veja deslanchar todo o seu potencial de crescimento de longo prazo. Para isso, era importante que o risco-país caísse, pois ele revela o grau de confiança dos investidores, tanto nacionais quanto estrangeiros e tem reflexo direto sobre o custo do financiamento para de investimentos.
    Hoje, podemos constatar que o risco-país caiu para menos de 300 pontos, e a taxa de juros vem caindo de forma consistente, com o mercado estimando que se situe em 14% até no final do ano.
    A volatilidade que tem provocado uma piora significativa do mercado doméstico nos últimos dias, ainda que prolongada, não deve impedir uma melhora do rating do Brasil, segundo o Vice-Presidente Sênior da Moody´s, Mauro Leos. 
    Ele afirma que até agora temos visto uma contínua redução da Dívida Externa e a melhora na estrutura da Dívida Pública.
    Comunicação – Também quero ressaltar o alto nível de comunicação do Banco Central. As Atas do Copom e os “Relatórios de Inflação” são leituras importantes para a compreensão da Política Monetária do Brasil, abrangendo variáveis como Produto e Demanda, Preços, Moeda e Crédito, Finanças Públicas, Setor Externo, Perspectivas para Inflação, Medidas de Política Econômica, estimativas para o comportamento do PIB e Spread Bancário. 
    E em nível internacional, o Brasil lidera os países Emergentes em transparência e relação com os Investidores. Estudo divulgado pelo IIF - Institute of International Finance, que reúne os principais bancos globais, classifica o Brasil em 1º lugar no ranking, comparativamente,– aos demais países emergentes - a um grupo de 30 países – incluindo China, Rússia, México e Chile. Dentre os 20 critérios utilizados na pesquisa, aos quais foi atribuído um total de 38 pontos, o País atingiu 37 pontos. 
    De acordo com o IIF, o Banco Central e a Secretaria do Tesouro Nacional vêm, consistentemente, atendendo de maneira satisfatória padrões prescritos tanto pelo IIF como o FMI no que se refere à pontualidade e periodicidade na divulgação de informações a respeito das estatísticas fiscais referentes ao Governo Central (Tesouro Nacional, INSS e Banco Central), empresas estatais, Estados e Municípios, estatísticas essas que são divulgadas, sistematicamente, ao longo da segunda quinzena do mês seguinte ao de referência. 

    Repensar Câmbio – Na semana passada (dia 19 de Maio/2006), o Presidente do Banco Central declarou que “o Brasil está num momento de repensar suas normas cambiais”. Em favor das mudanças nas normas cambiais, o dr. Meirelles disse que o Brasil tem regras voltadas para reter dólares porque durante décadas teve carência de moeda estrangeira. “Mas, agora, hoje, o Brasil está numa situação totalmente inversa”. Como já falei antes, é bom prestar atenção nas palavras do Presidente do Banco Central.
    Finalmente, quero ressaltar que, nesse processo de interação com o setor privado, a Adeval e todos nós, esperamos continuar contando com o inestimável apoio do Dr. Meirelles, na consolidação de um Mercado de Capitais doméstico eficiente e forte, fundamental para o nosso crescimento sustentado. Por último, gostaríamos de expressar a nossa grande admiração e nosso alto apreço pelo seu elevado espírito público a serviço do nosso País.

Personalidades presentes à reunião-almoço da Adeval

Mais de 170 pessoas participaram do evento promovido pela Adeval, que reuniu dirigentes de empresas e de entidades do Mercado financeiro e de Capitais, políticos e autoridades, e representantes da Imprensa.

Composição da Mesa Principal 

À direita de Ney Castro Alves: Henrique de Campos Meirelles (Presidente do Banco Central); Gabriel Jorge Ferreira (presidente da CNF e da Consif); Dep. Federal Luiz Antonio Fleury Filho (PTB-SP, e Ex-Governador de São Paulo); Roberto Egydio Setúbal (Febraban); Francisco Vidal Luna (Secretário Municipal Planejamento, representando o Prefeito Gilberto Kassab), Homero Amaral Júnior (presidente da Ancor), Érico Sodré Quirino Ferreira (presidente da Acrefi), Edgar da Silva Ramos (presidente da Cetip), José Ataliba Ferraz Sampaio (diretor da Adeval).

À esquerda de Ney Castro Alves: Raymundo Magliano Filho (presidente da Bovespa); Eunice Aparecida de Jesus Prudente (Secretária de Justiça e Defesa Cidadania de São Paulo); Deputado Federal Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP); Alfredo Egydio Setúbal (presidente da Anbid); Alcides Lopes Tápias (ex-Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, ex-Presidente da Febraban e Membro do Conselho Consultivo da BM&F, representando seu presidente Manoel Felix Cintra Neto); João Ayres Rabello Filho (presidente da ABBC); Rafael Euclydes de Campos Cardoso (presidente da Abel); Rubens Antonio Barbosa (presidente do Conselho de Comércio Exterior da Fiesp e Ex-Embaixador do Brasil em Washington); Alfredo Cotait Neto (Câmara Brasil-Líbano, também representando o presidente da Associação Comercial de São Paulo). 

Achavam-se também presentes: Antonio Jorge Vasconcellos da Cruz; representando o presidente da Abrapp, Artur Milhomem Neto; Diretor Técnico da Apimec-DF, Carlos Alberto Parussolo da Silva; Membro do CRSFN, Flávio Croppo; representando o presidente da Anef, Francisco da Silva Coelho; Presidente da Ordem dos Economistas do Brasil e Gerente Técnico do Deorf do Banco Central em São Paulo, Geraldo Braido Roqueto; Gerente da CVM, Hermann Wever; Presidente do Fórum de Líderes Empresariais da Gazeta Mercantil, Luiz Leonardo Cantidiano; Presidente do Ibef-RJ e ex-presidente da CVM; Paes Landim, Deputado Federal PTB-PI; Raul Jorge Pinho Curro, Membro do CRSFN, Roberto Raimondo; Cônsul Geral da Argentina, Sérgio Antonio Reze; Presidente da Fenabrave, Sérgio Augusto Guedes Pereira de Souza; Procurador da Fazenda Nacional junto ao CRSFN, Silvio Antonio Cipriano; Gerente Técnico do DEORF do Banco Central em São Paulo, Silvio Pires de Paula (representando o presidente do Conselho Regional de Administração de São Paulo). 

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REUNIÃO-ALMOÇO
HENRIQUE DE CAMPOS MEIRELLES

O desafio do Crescimento Sustentado

Pronunciamento do Presidente do Banco Central do Brasil, Henrique de Campos Meirelles, em reunião-almoço da Adeval no dia 26 de Maio/2006, no Nacional Club, em São Paulo, em sua homenagem.

    Boa tarde a todos. É um prazer estar mais uma vez no evento da Adeval, e quero agradecer a todos a presença. Quero agradecer a generosidade e, em relação também ao Ney Castro Alves, a lembrança histórica do momento em que nós discutimos aqui (em Agosto/2003) a questão da retomada do desenvolvimento brasileiro. Porque de fato era um momento importante na medida em que se questionava naquele momento, até que ponto o Brasil teria condições de retomar de uma forma sustentada o crescimento. E é isso que vamos endereçar hoje. 
    Eu vou fazer uma apresentação com números abundantes de informações, mais meramente como um suporte das conclusões fundamentais e vou me dedicar isso sim, um pouco mais naqueles pontos mais importantes.
    Função do Banco Central – Em relação à Política Monetária, gostaria apenas de retomar um fato que eu já mencionei desde aquela oportunidade aqui: é de que a função de um Banco Central moderno é colaborar para o crescimento do País, mediante a manutenção da estabilidade de preços, segundo definido no caso do Brasil pelo CMN. Esta é a contribuição do Banco Central: uma inflação no plano de metas é pré-condição para o crescimento. Não existe país que tenha crescido com inflações elevadas. E muitas vezes as pessoas me perguntam, mas o que o Banco Central pode fazer para aumentar a taxa de crescimento do Brasil? Respondo: É manter a inflação dentro das metas. Cada um com a sua função. 
    Existe um dado muito importante que eu vou mencionar depois! a questão da Taxa de Juros. Mas eu vou já pontuar nesse aspecto de que a Taxa de Juros no Brasil, tem estado cadente nos últimos anos, a Taxa de Juros real. E é importante mencionar que um componente importante da Taxa de Juros é o chamado prêmio de risco da inflação. Isto é, a incerteza em relação à inflação futura. 
Por exemplo, quem comprou um título pré-fixado em Abril/2002, recebendo na época cerca de 17%, quando se previa uma inflação de 6%, viu que a inflação real foi 17%. Assim, esse investidor passou a exigir claramente, tal qual investidores que tiveram experiência similar no passado, um prêmio de risco de inflação. 
    Credibilidade e volatilidade – Portanto, é muito importante para o País que inflações consistentemente dentro das metas comecem a dar credibilidade às autoridades monetárias; é o País de que a inflação estará nas metas dos próximos anos e, em conseqüência, as taxas de juros mantenham a trajetória cadente com os prêmios de risco caindo. Isto é, volatilidade de inflação, não é o que baixa a Taxa de Juros, é o contrário, no momento em que o Banco Central tenta baixar Taxa de Juros artificialmente, e a inflação sobe, e a inflação fica volátil, aí sim nós teremos Taxa de Juros mais elevadas.

    Por isso, vamos então mencionar, apenas para lembrar, a evolução da taxa Selic (gráfico 1) nos últimos anos, desde a implantação do regime de metas de inflação do Brasil, com a subida no final de 2002, resultado de um aumento da inflação que pré-datou ao aumento da Selic e as previsões de mercado em vermelho. Eu mencionei a Taxa de Juros real. Eu gostaria apenas de mencionar que de 1997, portanto até 2000, a taxa média de juros real aqui calculado mediante o retorno do Swap 360 dias na BM&F, descontado pela inflação prevista pelo mercado naquele momento um ano à frente. (gráfico 2) 

    Nós vamos ver então, que a média foi de 21,4% naquele período, baixando de 15,2% por período seguinte, 11,4% no período de 2004/2005 e média até Abril de 2006, média 2006, 10,4%. Portanto, mostramos exatamente a trajetória cadente da Taxa de Juros real, resultado da diminuição dos prêmios de risco. Seja, o prêmio de risco de inflação, sejam outros prêmios de risco.

    Desinflação – A inflação, o IPCA acumulado em 12 meses nós vemos o trabalho de desinflação feito em 2003, e o repique inflacionário final 2004 começo 2005, a resposta de Política Monetária e a queda conseqüente da inflação. (gráfico 3) Isso aqui é apresentado em reuniões de Banco Central; normalmente é considerado livro texto de Política Monetária. Significa que política monetária funciona no Brasil sim, senhoras e senhores, ao contrário do que muitas vezes tivemos no passado. A Política Monetária funciona no Brasil independente das condições da política brasileira. Se nós olharmos a inflação de comercializados e não-comercializáveis no Exterior nós vamos ver de novo que existe evidentemente momentos de uma correlação não exata, mas o fato concreto é que de novo vemos aqui o resultado da política monetária em itens também comercializados como os não-comercializáveis. 
    De novo, ao contrário de algumas interpretações que muitas vezes tendem a indicar que é um fator específico que determina a inflação. Não. A inflação á determinada por uma série de fatores, mas a Política Monetária é o instrumento para se controlar a inflação. O número de itens com aumento de preços, nós vamos ver de novo, uma subida durante o final de 2002/2003 e depois uma queda consistente, um pequeno repique como eu mencionei, no início de 2005, mas de novo a tendência de queda. Dado muito importante para analisarmos a tendência de inflação. A expectativa de mercado para o IPCA em 12 meses (gráfico 4), a partir de julho de 2004 é de novo um número que fala por si só, em relação ao resultado da aplicação da política monetária no Brasil. 

    A inflação versos as metas – Desde o início da implantação do regime de metas de inflação, nós vemos que no começo ele oscilou na parte superior, do intervalo de tolerância, a partir da implantação do regime, mas já em 2001 ultrapassou o intervalo de tolerância máxima atingindo, portanto 17% aqui em maio de 2003. 
    Tivemos uma convergência para o centro da meta no início de 2004 e de novo aquele repique de inflação onde eu já mencionei, chega o momento em que ele volta a ultrapassar o limite superior do intervalo de tolerância, demandando a saúde monetária do Banco Central e em vermelho (gráfico) as previsões do mercado para a inflação futura, mostrando de novo um dado de maior importância para o Brasil, que é a ancoragem das expectativas na meta de inflação. Isto em se mantendo representa um potencial de crescimento maior para o País, o que significa uma diminuição dos prêmios de risco de inflação. 
    Exporta-se para se importar – No setor Externo, o saldo em Conta Corrente, é importante pontuar isso, entre a medida entre o que nós tínhamos de déficit em conta corrente o que nós temos de saldo hoje, equivale a 6%, uma mudança estrutural de 6% do produto. Uma visão gráfica, saímos de um déficit em 1998, U$ 33,4 bilhões para U$ 14,2 bilhões (gráfico 5).

    Isto é um dado da maior importância na medida em que isto é gerado, fundamentalmente, pela Balança Comercial, que têm tido uma progressão sistemática. As exportações brasileiras cresceram à taxa média de 21% em três anos. Todas as categorias de produto apresentam em crescimento e a participação das exportações no mercado mundial apresentam um crescimento importante. 
    Vemos aqui a trajetória das exportações e das importações que são absolutamente fundamentais. O Milton Fredman já escreveu na década de 70 de que se exporta para se importar, para se ser capaz de importar, não se exporta apenas para acumular moeda, inclusive porque há limites para isso. É importante que tenhamos isso em mente, quando olhamos o futuro do País
    Crescimento das importações: 19% em 12 meses até Abril de 2006, no período comparado com o período anterior e é importante mencionar que manufaturados também tiveram um crescimento nesse período de 17%. 
    O quantum importado do total versus industrializados: nós estamos vendo que os industrializados estão crescendo em linha com a quantidade total exportada, dado dá maior importância para a economia.
    Preço das exportações: é importante mencionar que os famosos termos de troca, de fato tivemos uma deteriorarização nos termos de troca nos preços das exportações em relação ao que prevalecia antes da crise da Ásia de 1997, mas nós vimos agora que os preços das exportações brasileiras já atingem um patamar levemente superior ao que existia naquela época. 

    Participação do Brasil nas exportações mundiais – É importante mencionar que está crescendo, isto é, nós estamos exportando mais, crescendo mais as exportações do que a média do crescimento do comércio mundial (gráfico 6)
    Em conseqüência do aumento das importações, nós temos uma corrente de comércio crescendo de uma maneira pronunciada no Brasil, também da maior importância, porque isso mostra que a economia está se abrindo tornando-se mais competitiva e de novo frisando que o importante é que cresçamos as exportações, mas também as importações. 
    Fluxo de câmbio – Assunto de maior popularidade no passado recente. Discute-se muito o que têm influenciado a taxa de Câmbio no Brasil. Eu gostaria de mencionar que ao contrário do que muitas vezes é expresso, por exemplo, se olharmos 2004, o fluxo de câmbio comercial positivo em quase U$ 40 milhões, fluxo de câmbio financeiro em vermelho negativo. Se olharmos 2005 acentuando-se esse efeito, de Janeiro a Abril de 2005, temos exatamente o mesmo efeito, e se olharmos de Janeiro a Abril de 2006, nós vamos ver que o fluxo financeiro passa ser levemente positivo, porém, uma fração do que é o fluxo comercial. Então nós temos claramente demonstrado que o que determina a dinâmica do mercado de Câmbio brasileiro é o fluxo comercial e o fluxo de investimento direto. 
    Algumas pessoas dizem, muito bem, mas e os Derivativos? Será que os Derivativos não são os responsáveis únicos e exclusivos pela apreciação do Real na medida em que existem essas apostas? Isso me lembra uma discussão que existia quando o petróleo estava subindo e já tinha ultrapassado a faixa dos US$ 45, estava nos US$ 50 ainda subindo existia uma discussão muito grande em vários setores dos analistas do mundo todo, e muitos argumentavam que o petróleo estava subindo por causa das apostas dos hedge fund do petróleo. E que as apostas do hedge fund estavam puxando o preço do petróleo. 
    E as análises que eu vi que me convenceram na oportunidade é o seguinte: as apostas têm por base os fundamentos. Quer dizer, os hedge fund estavam apostando no petróleo porque os estudos das ofertas e demanda no mercado mundial de petróleo indicavam a subida do preço do petróleo. Não é razoável se esperar que o mercado de Derivativos vá apostar em algo que não tenha fundamento para ter a sua apreciação, e apenas as apostas especulativas vão levar uma determinada commoditie ou ação ou papel ou moeda numa direção, contra os seus fundamentos. Então evidentemente que as apostas são baseadas na realidade, nos fundamentos. E, portanto o fundamento da economia brasileira é este, o que significa uma economia sólida, uma economia que tenha equacionado a sua questão externa. 

    Câmbio real x risco x exportação – Uma correlação importante que nós devemos olhar é o câmbio real e o risco Brasil, taxa de câmbio real efetiva, sexta de quinze moedas descontadas pela inflação de cada moeda. Nós vamos ver de novo que existe uma correlação entre risco e taxa de Câmbio. Outra correlação muito interessante é câmbio real e preço de exportação. Isto é, nós temos aqui uma apreciação, a taxa de Câmbio real efetiva, na medida em que os preços de exportação aumentam, de novo uma correlação inversa interessante, no caso podemos olhar simplificando imprecisamente, a linha vermelha taxa do dólar (gráfico 7)
    Na realidade é muito mais do que isso, que a taxa real efetiva leva em conta quinze moedas descontadas, etc, a inflação de cada um, mas apenas para mostrar essa correlação interessante. Portanto, condições favoráveis no balanço de pagamento permitiram ao Banco Central acumular Reservas internacionais em função de toda essa evolução. 

    Banco Central e Câmbio – Por exemplo, falando agora em aquisições do Banco Central no mercado de Câmbio, mercado spot. Nós temos, por exemplo, 2001 uma venda líquida importante; 2002 uma venda líquida de quase U$ 9 bilhões, visando estabilizar o mercado; 2003 uma inversão pequena; 2004 o Banco Central já comprou U$ 5,3 bilhões, além das compras do Tesouro; 2005 U$ 21 bilhões e até Abril U$ 10,1 bilhões. Nós mostramos então que isto é exatamente, tem como conseqüência a evolução das Reservas Internacionais do Brasil que atingem hoje U$ 62 bilhões (gráfico 8) depois de pagarmos U$ 15 bilhões no FMI, depois de pagarmos U$ 6 bilhões do Clube de Paris, mais de U$ 6 bilhões Bradie Bonds e de algumas compras de Títulos da República em andamento. Portanto isto mostra, continuada solidez da Área Externa do País. Além do mais, é importante mencionar que existem as compras futuras do Tesouro, além das compras do Mercado Futuro, do próprio Banco Central, através das operações de swap
    Se nós olharmos Dívida Externa, que é um outro fator que eu estou mencionando, compra do Tesouro, etc. Se olharmos a Dívida Externa total, também pagamento das companhias privadas, nós vamos ver que a Dívida Externa Bruta total caiu de cerca de U$ 240 bilhões no ano de 2000; U$ 220 em 2003, para cerca de U$ 160 bilhões; agora dívida líquida de Reservas U$ 165 bilhões em 2003 para cerca U$ 89 bilhões em Abril, mostrando mais uma vez que não só acumulamos Reservas, mas diminuímos o passivo de forma importante.
    Como resultado os índices de solvência do País que vinham se deteriorando passaram a ter uma melhora significativa. O pagamento de Juros sobre Exportações, por exemplo, de 35% do total para cerca de 12. Dívida Externa líquida sobre Exportações, quase 4 anos de exportações, para menos de 1 hoje - alguns meses de exportação para pagarmos a Dívida Externa Líquida Total (gráfico 9). De novo tudo isto mostra a grande questão da economia brasileira hoje, que é o fato de que talvez pela 1a vez nós tenhamos no Brasil uma diminuição importantíssima na vulnerabilidade externa. 

    Se nós olharmos os mercados recentes e as evoluções da semana nós vemos uma comprovação disto, uma mudança estrutural importante da economia mundial que está levando a turbulências eventuais, dentro deste mecanismo de ajuste, e a turbulência da última semana não teve o efeito de gatilho numa deteriorização das condições brasileiras, muito pelo contrário. 
    Balança de Pagamentos – Isto é, já dizíamos aqui Ney Castro Alves, em 2003, que as condições para a retomada do crescimento sustentável estavam sendo dadas. E é importante notar pontuando aqui que o grande impedimento do crescimento do Brasil na década anterior eram as crises periódicas da Balança de Pagamentos. No momento em que nós eliminamos as crises, nós tenhamos condições, aí sim, de atingir o nosso crescimento potencial. 

    Expectativas do mercado para a Balança Comercial de Conta Corrente: apenas mencionando que se nós olharmos a Balança Comercial, por exemplo, a evolução das estimativas para cada um dos anos na estimativa de 2005/2006/2007, nós vamos ver como o mercado tem realizado constantemente pra cima as estimativas de crescimento da balança comer-cial, mostrando que a força competitiva do País tem surpreendido os mais experientes analistas. 
    Rota de desenvolvimento sustentado – Para entrarmos na última parte fatores que sustentam o crescimento Brasil está de fato hoje, já, em plena rota de crescimento sustentado. Falamos em 2003, em Agosto aqui, que as condições para a retomada do crescimento estavam dadas. Hoje, em Maio/2006, dizemos que já estamos em plena rota de crescimento sustentado. O aumento do emprego, do salário real, uma parte importante do ganho do salário real, queda da inflação, flexibilização da Política Monetária, expansão do crédito, confiança do consumidor, confiança empresarial, retomada do investimento, queda do risco e da banda externa.
    Criação do emprego formal – O Brasil está criando 1,3 milhões de novos postos de trabalho por ano. Em Abril foram 226 mil novos postos de trabalho, de novo a maior criação de empregos do quadrimestre desde a introdução desta série que foi, portanto este ano, de Janeiro a Abril.
    Rendimentos reais a preço de 2006, deflacionados pelo IPC Média Móvel, vemos uma trajetória a partir de Janeiro 2004 crescente do rendimento real.
    Massa salarial real também crescendo desde Janeiro 2004. Isto é a base do crescimento sustentado da economia, aumento da renda, aumento do salário, aumento da massa, aumento do emprego.

    Vendas no varejo – Em conseqüência média móvel de 3 meses. Notamos que as vendas começaram a crescer antes do aumento do emprego. Coincidentemente, Ney, em Agosto de 2003, nós tivemos aí exatamente o ponto de inflexão da atividade econômica: Vendas no varejo que crescem consistentemente, como mostra o (gráfico 11)
    É a confiança do consumidor em São Paulo. Houve uma queda no ano passado, e veio a recuperação já em 2006.

    Crédito – Outro fator importante crédito livre e crédito total temos um crescimento de novo pronunciado desde o início de 2003 e crédito livre crescendo em conjunto com o crédito total. O crédito total mostra que estamos caminhando para 32% do produto.
    A absorção doméstica de bens de capital caiu evidentemente com a crise, começando em 2001. Ela começou a cair em 2001, subiu muito em 2002, principalmente com o apagão, depois ela começou a cair, atingiu o piso em 2003 e voltou a reagir fortemente. 
    Um dado importante é a taxa de investimento e a correlação com o risco País (gráfico 12). O risco País cai, sobe a taxa de investimento. É instintivo. Na medida em que cai o risco aumenta a previsibilidade, aumenta o investimento. 

    Confiança empresarial, que também caiu no meio do ano passado, principalmente do terceiro trimestre, volta a retomar tranqüilamente. Nós vamos ver que em 2002 e 2003 o crescimento foi basicamente puxado pela demanda externa. Em 2004 a demanda doméstica já prevaleceu, em 2006 nós temos isso de uma forma mais pronunciada a demanda doméstica liderando o processo de crescimento.

    Crescimento 1990-2006 – Finalmente, se nós olharmos o crescimento do produto, nós vamos notar que o Brasil de 1999 a 2003 teve uma média de crescimento de 1,8%. Se olharmos desde 1990, 1,7%. Se olharmos desde 1980, um pouquinho acima, mas de novo ao redor de 2%. Quando olhamos a partir de 80, se olharmos a média de 2004 a 2006, 3,7%, partindo da projeção para 2006 de 4%. 
    Aí nós vamos notar o seguinte, que houve um aumento da taxa de crescimento pronunciada praticamente 100%, no sentido de que a taxa de crescimento dobrou e alguns dizem, não, mas nós não devemos comparar o Brasil com o Brasil, nós devemos comparar o Brasil com outros países, porque os outros países estão crescendo mais. 

    Brasil x Emergentes – Muito bem, vamos comparar não tem problema nenhum, por exemplo, vamos pegar um país próximo aqui com características similares ao Brasil, que é o Chile. É pequeno, mas tem outros países pequenos na região que também não crescem, para dizer o mínimo, então não é o tamanho, mas vamos olhar o Chile, o Chile tem despesa pública total de 17% do produto, o Brasil o dobro. Dívida pública chilena líquida total é negativa menor que zero o Estado Chileno é credor da sociedade. O superávit nominal no ano de 2005 foi 7% do produto, nominal. 
    Aproveitaram o cobre evidentemente, só que pagaram a dívida com esse recurso. 2o, 3o ou 4o – o Chile fez a privatização da Previdência, há bastante tempo e hoje, portanto a Previdência é um grande fornecedor de capitais ao mercado, aos investimentos e à sociedade. A última vez que eu estive lá, eu brinquei com um chileno e disse: “bom eu acho que vocês precisam trabalhar um pouco mais porque 6% é pouco, não é verdade?” Era brincadeira, porque 6% é um crescimento impressionante. 

    Caminho para crescer – Mas o que eu quero dizer é o seguinte, que o Chile tem condições claras para crescer. Isto mostra o caminho que o Brasil tem que seguir no sentido de aumentar a taxa de crescimento. Em dito isso a taxa de crescimento brasileira já está atingindo 4% numa direção crescente e isto é sustentável; isto é muito importante. 
    É sustentável, o Brasil está crescendo a taxas importantes, já condizentes com economias de alta taxa de crescimento, como México, como Coréia, e superiores das economias amadurecidas inclusive, de muitos países de alto crescimento e alguns fundamentos aqui são muito importantes: 1º o da crise externa, como eu mencionei, a eliminação de crises permite ao País aumentar o seu potencial de crescimento; 2º previsão, inflação na meta, isso de novo, diminui o plano de risco de inflação, diminui o custo de capital, aumenta o horizonte de planejamento, aumenta a previsibilidade, aumenta a taxa de investimento; cai o risco, aumenta a taxa de investimento (gráfico 13)
    Tudo isso está fazendo com que o crescimento potencial do Brasil suba e dentro da minha previsão continuará subindo já dando, portanto um aumento. O mais importante dado disto é que estamos num momento de crescimento sustentado, esta crise atual que passou de ajustes dos mercados internacionais mostra claramente este aspecto, como o Brasil hoje tem condições de navegar dentro dos ciclos da economia internacional sem passar por crises periódicas.


    Economia internacional e o Brasil – Para terminar, alguns me perguntaram, para mencionar um pouquinho a questão da economia internacional, o que está acontecendo nos mercados. Vou dizer que existe algumas coisas claras e algumas coisas incertas. 
    O que está claro é o seguinte: nós tínhamos nos EUA, principalmente, e em outras economias também, mas nos EUA de uma forma mais pronunciada alguns fenômenos deflacionários importantes, um deles, queda dos preços dos bens chineses. A China estava incorporando grande quantidade de novos trabalhadores no mercado de trabalho e ganhando em produtividade e baixando os seus preços médios (NR: ver matéria Ponto de Vista). Portanto um fenômeno, um impulso deflacionário importante vindo da economia chinesa. 
    E em segundo lugar existiu um fluxo migratório de mão-de-obra qualificada da Ásia e mesmo da Rússia para muitos países, também fenômeno deflacionário. E tivemos também a questão da tecnologia, grandes investimentos em tecnologia, na Internet, da tecnologia de 1999 - 2000, esses investimentos começaram a maturar de novo diminuindo o custo de homem-hora americano nos anos seguintes. Tudo isso permitiu a oferta de uma Taxa de Juros, uma política monetária extremamente acomodatícia, portanto, com altas condições de liquidez no mercado internacional. 

    Turbulência internacional – Esse período por razões diversas - subidas das commodities, o petróleo, o próprio ajuste da economia da China, um amadurecimento paulatino - nós temos um fenômeno deflacionário diminuindo de intensidade, o FED tentando buscar uma taxa neutra, portanto, esse é um movimento que gera uma acomodação nos mercados internacionais que muitas vezes pode ser turbulento. Turbulento, principalmente para os ativos de maior risco e aí alguns países estão sofrendo e alguns podem vir a sofrer. 
    As condições, no entanto hoje de muitos países estão muito melhores do que eram na década de 90. E, particularmente a situação do Brasil claramente como já mostrei, faz com que nós olhamos isso com mais tranqüilidade. Não que sejamos como qualquer País imune à crise, evidente que não. Não que não tenhamos ainda trabalho para fazer em algumas áreas, evidente que sim. Passado recente mostrou isso com clareza na última semana de Maio/2006. 
    Não é que podemos ser complacentes, de maneira nenhuma. Nós possamos dizer, agora está tudo feito, podemos agora descansar, não, não, não. Tem muito trabalho. Agora eu acho que apenas mostrou-se o caminho de trabalho. Mas temos que persistir e inclusive acentuar a linha de austeridade, a linha de responsabilidade, de maneira que o Brasil possa aí sim sustentar esse crescimento, independente dos ciclos da economia mundial manter a sua capacidade de gerar emprego, gerar aumento de renda e em última análise alta taxa de crescimento. 
    Muito obrigado e até a próxima vez.

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CORRETORAS

BM&F lança Programa de Qualificação das Corretoras

    O Presidente da BM&F, Manoel Felix Cintra Neto e o Diretor Geral, Edemir Pinto, apresentaram dia 05 de Maio/2006, o Programa de Qualificação Operacional (PQO) aos associados da Bolsa, que prepara as Corretoras para os desafios da globalização e da desmutualização. O PQO é a Fase II do Programa de Fortalecimento do Setor da Intermediação cuja fase 1º foi abrangeu o período Janeiro/2005 – Junho/2006, voltado para a modernização tecnológica das bases operacionais das corretoras, a qualificação profissional das mesas e do back-office e a introdução de procedimentos e requisitos de compliance.
    A Fase II do Programa foi detalhada pelo Diretor Adjunto de Fomento e Desenvolvimento de Mercado, Verdi Rosa Monteiro. Em Maio e Junho o PQO ficará em audiência pública para interação Bolsa/Corretoras. O Programa será efetivamente implantado a partir de 1º de Julho, quando se iniciarão os trabalhos de aprimoramento dos controles internos das Corretoras, identificação de seus focos de atividade e preparação para a futura certificação dos posicionamentos estratégicos.
    Durante a exposição aos Corretores no auditório, o programa foi levado a debate durante almoço na BM&F, quando também falou o Consultor Paulo Oliveira, da Pro Business. O Diretor Geral Edemir Pinto disse que a Bolsa pretende criar um prêmio para quem se colocar à frente em algumas das melhores práticas. 
    Todo esse conjunto de mudanças estruturais tem por finalidade capacitar as Corretoras para as exigências de um mercado que evidencia grande potencial de crescimento, com a perspectiva de contínua melhoria dos indicadores de risco da economia brasileira e de aprofundamento da abertura do mercado brasileiro de capitais. 
    Objetivando estimular a adesão ampla das Corretoras ao programa, a Bolsa implementará, a partir de 01/07/2006, o Plano de Incentivos à Qualificação Operacional das Corretoras BM&F, que abrange um conjunto de incentivos para: 1) Aprimoramento dos Processos Internos e Utilização de Práticas Superiores de Gestão; 2) Aquisição de Sistemas de Gravação, Softwares de Controles Internos, Qualificação de Pessoal e Treinamento.
    Selo de qualidade – A Bolsa certificará tal excelência, com a entrega do correspondente Selo de Qualidade, certa de que estará dando passo decisivo em direção à adequação e ao fortalecimento estrutural do setor de intermediação de derivativos no Brasil.
    As Corretoras que, comprovadamente, já possuam adequado sistema de gravação de mesa ou que tenham feito anteriormente investimentos próprios em sistemas de controles internos que dispensem as recomendações do PQO poderão utilizar as verbas de incentivos correspondentes para: a) ampliar e/ou aprimorar a capacidade de telefonia; b) aumentar eventuais gastos com programas de treinamento e/ou de melhoria do site; c) para pagar despesas relacionadas à montagem e ao funcionamento de escritório de representação no Exterior, em que se incluem despesas com equipamentos, mobiliário, materiais promocionais (marketing e publicidade), passagens aéreas e estada de sócios da Corretora em missão de organização do escritório ou de prospecção de clientes.
    Esse plano de incentivos terá validade até 31 de Março/2007, data em que os saldos eventualmente não-utilizados pelas Corretoras se extinguirão. 
    No lançamento do PQO, Manoel Felix Cintra Neto, Presidente do Conselho de Administração da BM&F, voltou a destacar o pioneirismo das Corretoras, como o fez quando da comemoração dos 20 anos da Bolsa. Com o foco “Preparando as Corretoras para o Futuro”, ele abordou 10 aspectos-chave, a saber: 
    1. Vocação de Pioneirismo da BM&F – Quando comemoramos os 20 anos da BM&F destaquei um ponto, em particular, que quero retomar no lançamento do programa que vamos apresentar hoje: o pioneirismo das nossas Corretoras. 
    A BM&F deve muito ao pioneirismo dos Corretores e profissionais que foram capazes de imaginar, prever de véspera o tamanho do mercado de Derivativos que surgiu nestes últimos vinte anos. 
    Os valores em giro nas Bolsas ultrapassam atualmente US$ 344 trilhões de dólares – o que equivale a mais de 30 vezes o valor do PIB norte-americano – e não param de crescer. 
    Conseguimos, graças a esse pioneirismo, criar uma instituição profissionalizada, focada na competitividade do nosso negócio. 
Montamos uma estrutura técnica que trabalhou sempre com o ouvido colado no mercado. À medida que o mercado ia crescendo, fomos juntos, investindo nas oportunidades para o lançamento de contratos, instrumentos de negociação, registros, precificação, Clearings
    Quando veio o novo Sistema de Pagamentos a infra-estrutura estava montada e o leque da Bolsa se abriu ainda mais, sempre conservando o foco no oferecimento de bons produtos para a gestão de riscos. 
    Todos juntos criamos a instituição que está aí hoje, disputando lugar entre as cinco maiores bolsas de futuros do mundo. 
    2. Forjados na Antevisão do que virá: – Todos nós, Corretores, trabalhamos com base no Valor Presente e no Valor Futuro. Esta é a nossa cultura. Aprendemos isso desde cedo, lá atrás, apertando as teclinhas de uma HP 12C. 
    O problema está em apertar a tecla certa. Para apertar a tecla certa precisamos continuar prevendo, antevendo o que virá. Se apertarmos a tecla errada vamos pagar um preço. 
    3. Globalização: – Quando comemoramos os 20 anos da BM&F falamos nos desafios que nos esperavam e destacamos a Globalização. Este é o grande desafio. 
    O problema é que todo mundo fala em globalização e até aceita isso com muita naturalidade.
    Todo mundo está enxergando o problema e todo mundo está perguntando: como é que eu me viro nisso? 
    Alguns não pensam nas conseqüências, não se preparam, preferem ver somente os horizontes que se abrem, sem pensar na competição que virá.
    A avestruz também sabe que o problema existe É por isso que ela enfia a cabeça na terra. A avestruz pensa que se não encarar o problema também não será encarada pelo problema.
    Acho que entre nós não há ninguém que não queira encarar o problema.
    No caso dos mercados Derivativos, felizmente o problema é um problema de crescimento. Os derivativos estão crescendo no mundo todo. 
    No último Congresso da Futures Industry Association em Chicago foram feitas previsões de volumes dobrando a cada três anos. Agora a Euronext anunciou que o número de transações no mercado cash de Janeiro a Abril/2006 aumentou 42% e as transações com Derivativos cresceram 25%. O volume negociado com opções de Eurodólar na plataforma Globex da Chicago Merc cresceu 42% este ano. 
    O setor está indo muito rápido lá fora e aqui também. 
    A velocidade está provocando mudanças radicais tanto nos mercados como nas instituições do mercado.
    Não podemos separar as duas coisas
    Temos de atacar as questões da globalização e as oportunidades que se abrem no mercado doméstico brasileiro tanto com estratégias operacionais, no nível da corretora, quanto institucionalmente, no nível da Bolsa. 
    A globalização vai expor nosso mercado a gigantes operacionais, à superposição de esferas reguladoras, a cobranças de especialização, qualidade, performance. Temos de preparar as Corretoras e a BM&F para esse salto. Como?
    4. Queda de protecionismos e proteções naturais: – O primeiro ponto que teremos de encarar é a queda de protecionismos e proteções naturais que ainda temos em nossos mercados. 
    Mesmo sem a internacionalização plena, já temos uma participação de não-residentes que corresponde, na média, a 15% do volume total negociado.
    5. Equalização e práticas de mercado: – À medida que participarmos mais dos mercados internacionais, vão surgir pressões irresistíveis para equalizar práticas internas e externas. Eu poderia citar vários exemplos, mas vou me limitar a dois: quando lançamos as telas dos títulos públicos brasileiros para o investidor estrangeiro, através de dois vendors internacionais, tivemos de pensar estrategicamente sobre vários pontos. Um deles, a tributação, terminou virando MP e agora lei. 
    Numa reunião com o Presidente da República, expliquei por que era importante essa mudança, comparando um condomínio em dificuldades que tem um prédio rico ao lado. Os condôminos do prédio pobre resolvem pedir um empréstimo para obras ao condomínio rico. É óbvio que os ricos não vão querer emprestar se os mais pobres resolverem repassar suas taxas de condomínio para os juros que vão pagar (contar história da reunião com Lula). 
    Outro exemplo simples é o lançamento de futuros sobre treasuries, que aprovamos no Conselho de Administração. Nosso desenho teve de levar em consideração o espelho do contrato existente em Chicago. 
    Cada vez mais teremos esse tipo de situações com produtos financeiros, commodities agrícolas, petróleo, energia, produtos de meio ambiente. Precisamos pensar como a Corretora e a Bolsa vão se posicionar para aumentar a clientela e a liquidez dos mercados. 
    Temos de prever, também, como irão se comportar nossos mercados à medida que nos aproximarmos das curvas dos juros praticados em outros mercados monetários em redor do mundo. Como iremos competir? Que vantagens poderemos oferecer num cenário de taxas globalmente competitivas, com taxas baixas de inflação? 
    6. Segmentação de produtos e clientes (número e volume): – A globalização e a busca do cliente corporativo são dois desafios que teremos de enfrentar para crescer. Costumo lembrar que pouco mais de 10% dos clientes corporativos potenciais usam derivativos no Brasil, contra mais de 90% nos EUA e Europa.
    Temos de ser sinceros com nosso negócio: muitos clientes corporativos potenciais desenvolveram mesas operadoras e estão mandando ordens para o Exterior. Eles desviam esse mercado para outras Bolsas porque não são visitados ou porque não encontram os serviços e a liquidez que precisam em nossos mercados.
    Temos de atacar essa situação por todos os lados. Vamos preparar nossas Mesas para competir em capacitação técnica, em especialização na oferta de produtos, ampliação da base territorial da geração de ordens e negócios e estratégias para atrair a clientela existente ou potencial, gerando mais liquidez. 
    Globalização tem a ver com especialização
    Especialização significa foco e reconhecimento pelo cliente de que está diante de uma brokeragem que pode lhe oferecer resultados – e não palpites. Se não nos prepararmos agora a janela de oportunidades que temos vai se fechar lá na frente e o mercado vai embora para o concorrente global.
    7. Especialização e foco de posicionamento – empresas: – Temos de reconhecer que a figura do Corretor, tal como ela existe hoje, em muitos casos continua a ser identificada com a pessoa do Corretor e não como empresa, como Corretora. 
    O crescimento de volumes requer profissionalização e especialização. Isso leva inevitavelmente a mudanças de percepção por parte da clientela. A globalização e a mudança de perfil no mercado doméstico vão cobrar, cada vez mais, a responsabilidade empresarial, a imagem da Corretora como empresa e não como indivíduo. Ser Corretor será cada vez mais diferente de ser Corretora. 
    O foco do Corretor limitado ao curto prazo terá de ser calibrado para atender à demanda de produtos e estratégias de médio, longo prazos. Teremos de pensar em Empresas que têm Corretores que oferecem serviços, e não em um indivíduo Corretor, que presta serviços a um cliente.
    8. Janela de Oportunidade – Investment Grade: – Quero retomar aqui aquele exemplo das teclinhas da calculadora financeira. A Corretora que apertar a tecla certa vai negociar melhor o seu PU do que a Corretora que apertar a tecla errada. 
    A forma de conseguir um PU melhor é o reconhecimento do mercado. Só que o mercado está mudando. O que a BM&F está fazendo é trazer para o mercado sua percepção institucional das mudanças com as quais teremos de conviver e um projeto que só pode ser tocado com um envolvimento, um compromisso profundo da Bolsa e dos Associados.
    O mercado que virá vai exigir cada vez mais a qualificação da Corretora. O Brasil está caminhando para se tornar investment grade
    Quando um país se qualifica como capacitado plenamente para receber investimentos, o investidor procura serviços com o mais alto nível de qualidade. 
    Vão se abrir novas oportunidades para as Corretoras no dia em que o Brasil virar investment grade. Quem estará capacitado? O que deve ser feito para essa capacitação? 
    A Corretora que estiver preparada para atender ao mercado quando ele atingir essa condição de investment grade deverá ter um perfil compatível. 
    A BM&F se preparou institucionalmente para o programa que estamos lançando hoje, investindo e contribuindo para a capacitação das Corretoras que queiram conquistar selo ou selos de qualidade. 
    9. O Bônus e o Ônus da preparação – Há alternativa? – Não há alternativa para o cenário que apresentei aos senhores, assim como não havia alternativa há vinte anos para o mercado futuro no Brasil: ele ia aparecer, na BM&F ou no balcão. No Brasil ou no Exterior. Muitos países exportaram seus mercados. 
    Conseguimos criar liquidez no Brasil porque enfrentamos os desafios e nos preparamos trabalhando ombro-a-ombro com o mercado. A situação agora é a mesma. Uns vão enxergar vinte anos na frente, outros não. Vamos trabalhar para que todos vejam vinte anos na frente e se preparem.
    Tudo o que traz bônus traz, também, encargos, custos. Como entendemos que esse é um desafio para a Bolsa e para o bolso dos Associados, desenhamos o programa que está sendo apresentado hoje como um esforço coletivo, em que parte dos ônus é bancada pela Bolsa e outra terá de ser bancada diretamente pelas Corretoras.
    O Diretor Geral, Edemir Pinto, vai entrar mais detalhadamente nesses aspectos. Estou certo de que, no dia de hoje, estamos lançando as fundações para um novo futuro.     
10. Valor Futuro e Propostas de Desmutualização: – Para concluir, quero sinalizar com um ponto importante relacionado com o Valor Futuro do nosso negócio.
    Apertamos a tecla do Valor Futuro 20 anos atrás e deu certo. 
    Conseguimos colocar a BM&F entre as cinco maiores Bolsas de Futuros do mundo, segundo o ranking da FIA, porque até aqui trabalhamos afinados, Bolsa e mercado. Temos de trabalhar para continuar crescendo sem cair na armadilha de uma Bolsa forte com Corretoras fracas. 
    Temos uma boa base e essa base chamou a atenção internacional. 
    A tecla do Valor Futuro da BM&F ganhou muita visibilidade e está sendo pressionada também de fora para dentro.
    Ninguém fica entre os cinco melhores clubes do Brasileirão ou da Taça Libertadores sem chamar a atenção da torcida local e dos concorrentes lá de fora.
    11 – Desmutualização – A BM&F está nessa situação. Devo informar aos senhores que a BM&F vem sendo procurada por alguns dos maiores bancos e instituições financeiras internacionais. Recebi várias delegações nas últimas semanas. Todos querem saber como vamos nos posicionar diante da desmutualização adotada pelos líderes do mercado nos EUA e na Europa
    Nosso Valor Futuro entrou no radar dessas instituições, em alguns casos de forma bastante lisonjeira. Alguns trouxeram propostas para que a BM&F siga o mesmo caminho dos IPOs dos concorrentes globais.
    Temos de ter uma visão clara sobre o que isso significa e o impacto da nova competição global sobre nossos negócios, tanto como instituição quanto como Corretoras associadas. Se vamos fazer um IPO, ou não, dentro de 1 ano, 2 anos, não importa. O que importa é que não podemos pensar em Bolsa rica com Corretoras pobres. 
    Temos de atacar, como disse antes e repito, os pilares institucionais e operacionais para enfrentar essa nova onda. Estamos estudando as propostas que recebemos, com a necessária cautela para fazer tudo na direção certa e no momento certo, seja preservando algumas peculiaridades do nosso mercado, seja inovando para os novos termos da competição global.
    O Programa de Qualificação vem ao encontro disso. É a estratégia certa na hora certa para a qualificação da Bolsa e de seus Associados em nível de excelência. O que é certo é que estamos diante do desafio de apertar a tecla do Valor Futuro uma vez mais. Vamos juntos!

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BOLSAS

Bovespa e BM&F iniciam estudos para desmutualização 

    A Bovespa e a BM&F constituíram grupos de trabalhos para estudar a desmutualização (abertura de capital) das Bolsas e de suas Clearings. A decisão, já aprovada pelos Conselhos de Administração das duas entidades, foi comunicada às sociedades Corretoras e acionistas.
    O objetivo do estudo é responder aos novos desafios do Mercado de Capitais brasileiro e ao aumento da competição internacional. A exemplo do que ocorreu em outros países, pretende-se ainda buscar a valorização dos investimentos realizados, a partir do aprimoramento do modelo de negócio, da estratégia e dos padrões de governança das duas instituições. A desmutualização já ocorreu em cerca de 70% das principais Bolsas do mundo, incluindo as três grandes Bolsas européias (Londres, a Euronext e a Bolsa de Frankfurt, Deutsche Börse). A Bolsa de New York foi a última, abrindo o capital em Março passado.
    “Queremos tornar a Bolsa mais aberta e democrática”, disse o presidente da Bovespa, Raymundo Magliano Filho. Segundo ele, qualquer pessoa poderá ser acionista da Bolsa, mas a negociação continuará restrita aos Corretores - uma determinação da lei e da CVM – Comissão de Valores Mobiliários. O processo de abertura levará de 18 a 24 meses e o formato da operação ainda será definido. 
A desmutualização das Bolsas
        Historicamente, a maioria das Bolsas eram organizações não-lucrativas, propriedades de seus próprios membros. Durante os últimos anos, temos visto uma tendência internacional entre as Bolsas em considerar estruturas de controle diferentes dos tradicionais modelos mútuos ou cooperativos. Na maioria dos casos, a Bolsa se transforma numa entidade com fins lucrativos governada por acionistas.
Uma vez desmutualizada, a Bolsa pode tomar várias formas. Algumas Bolsas conseguiram desmutualizar e se tornaram Sociedades Anônimas (S/A) listadas nas suas próprias Bolsas. Outras desmutualizaram-se mas continuam a ser sociedades com capital fechado. Outras ainda são subsidiárias de uma S/A controladora cujas ações são negociadas em outras Bolsas.
    O tema tem sido objeto de estudos e documentos divulgados pela Iosco – Organização Internacional das Comissões de Valores Mobiliários: 
    – em Dezembro/2000, o Comitê Técnico divulgou o “Discussion Paper on Stock Exchange Demutualization”; 
    – em Junho/2001, em Estocolmo, divulgou o documento “Issues Paper on Exchange Demutualization – A report of’ the Technical Committee of the Iosco”; 
    – em Abril/2005, foi publicado o documento “Exchange Demutualization in Emerging Markets”.
    – em Junho/2006 na 31a Conferência da Iosco – Organização Internacional das Comissões de Valores, em Hong Kong, o órgão divulgou a realização de uma consulta pública sobre as emissões de ações e resultado da evolução das Bolsas. 
    A Regulação em Mercados Secundários segue a tendência das Bolsas de converter resultados em lucros como outras companhias o fazem de seus resultados em bases acionárias. Como o fizeram outras Bolsas ao redor do mundo, para seus acionistas. Para os reguladores é uma oportunidade de examinar os negócios significantes da mudança de propriedade das Bolsas e seus objetivos empresariais. 
    Buscando tornar-se lucrativas, quem ganhou e quem perdeu?. Quais os benefícios para s as Corretoras e para os investidores, clientes das Corretoras?. O resultado desse processo de consulta pública estão atualmente sendo avaliados. A Iosco pretende divulgar um Relatório final que esboça as recomendações e conclusões até o final do último quadrimestre de 2006.
    Embora detalhados, os Relatórios não oferecem diretrizes, ou recomendações sobre como lidar com a regulamentação de desmutualizações. Os objetivos são:
    • resumir alguns dos principais tipos de preocupação sobre regulamentação e algumas das respostas relacionadas com as desmutualizações que já aconteceram em jurisdições diferentes:
    • atuar como uma fonte de informações para as jurisdições nas quais uma desmutualização eventualmente possa vir a ocorrer.
    O relatório de Abril/2005, por exemplo, aborda os “cases” da ASX Australian Stock Exchange, da HKEx – Hong Kong Stock & Futures Exchanges; da PCX - Pacific Exchange; da CME – Chicago Mercantile Exchange; da Nymex – New York Mercantile Exchange; da Nasdaq Stock Market – The National Association of Securities Dealers, e como se desenvolveram os processos de desmutualização, reestruturação, listagem, emissões, acionistas etc. 
    Os trabalhos da Iosco foram conduzidos pelo WG2 – Working Group on the Regulation of Secondary Market Regulation que examinou as questões, pré-condições, estratégias, implicações, relacionamentos etc. 
    Por que algumas Bolsas consideraram e outras não o processo de desmutualização. Responderam à pesquisa Brasil, China, Taipé, Hungria, Índia, Indonésia, Malásia, Paquistão, Philipinas, Polônia, África do Sul, Sri Lanka, Tailândia e Turquia. Muitas detalharam os porquês e os fatores macro-econômicos que afetavam o Mercado de Capitais e as Bolsas, em relação à desmutualização. 
    Os resultados do status de desmutualização das Bolsas nos mercados emergentes mostravam:
    Os dados da Iosco – que reúne as Comissões de Valores Mobiliários de todo mundo – revelam que apenas cinco países emergentes tornaram suas Bolsas sociedades anônimas – Chile, Hungria, Malásia, Filipinas e Taiwan – de um total de 76 Bolsas emergentes. Já 21 Bolsas de países desenvolvidos já são desmutualizadas, o que representa 40% dos integrantes de Federação Mundial de Bolsas. Dentre elas estão: Suécia (SSE); Austrália (ASZ); depois vieram as da Alemanha, Londres, França e a Euronext, que é o resultado da fusão de várias Bolsas; Canadá (TSE); Cingapura (SES); Hong Kong (HKEx); Reino Unido (LSE); EUA (CME, Nymex, Nasdaq e Nyse).
    Variáveis da desmutualização e “cases” 
    À medida que a concorrência alimenta e as Bolsas migram de entidades mútuas ou cooperativas para empreendimentos com fins lucrativos, novas variáveis entram em cena. Os interesses dos donos da Bolsa poderiam divergir daqueles dos clientes principais, e serviços de negociação. A natureza comercial da Bolsa torna-se mais evidente: maximizar lucros começa a ser um objetivo explícito. Estas mudanças podem criar dúvidas e preocupações, incluindo conflitos de interesse.
    Alguns exemplos de Bolsas que fizeram a desmutualização são mostrados a seguir:
    • Hong Kong Stock & Futures Exchanges – Em 3 de Março/1999, o governo anunciou uma reforma do Mercado de Valores e Futuros que incluiu a desmutualização e fusão das Bolsas. resultando, em Junho/2000, na HKEx, que foi listada na Bolsa operada por sua subsidiária, The Stock Exchange of Hong Kong.
    • London Stock Exchange (LSE) – Em 30 de Julho/1999, a LSE anunciou sua intenção de criar nova estrutura baseada em ações transferíveis. Em 15 de Março/2000. os acionistas aprovaram as resoluções necessárias para que a LSE pudesse tornar-se uma sociedade anônima de capital aberto, com a razão social “London Stock Exchange Plc”.
    • Chicago Mercantile Exchange (CME) – A CME se tornou a primeira Bolsa financeira a desmutualizar em 13 de Novembro/2000, convertendo quotas em ações negociáveis. A CME emitiu aos membros quase 26 milhões de ações Classe A, representando direitos no patrimônio, e 5000 ações Classe B, representando direitos de negociação.
    • Nasdaq Stock Market – A desmutualização foi votada em Abril/2000. A 1a fase da emissão de ações terminou em 28 de Junho/2000, com a venda de 24 milhões de ações novas. Mais de 2.800 não-NASD investidores compraram 40% da Nasdaq. A 2a fase da emissão foi em 2001.
    Além dessas, desmutualizaram as Bolsas de Singapura (atual SGX), de Estocolmo (SSE), da Austrália (ASX), de Toronto (TSE), a Nymex e a Pacific (PCX), dos EUA.
    Na verdade, já na reunião anual da FIBV – Federation Internacïonale des Bourses des Valeurs foi constatado que das 52 Bolsas presentes, 15 já tinham se desmutualizado, 14 recebido aprovação dos membros para desmutualizar e 15 consideravam fazê-lo.
    A tendência para desmutualização das Bolsas de Valores decorre da alta competitividade e mudanças tecnológicas. Com isso, Bolsas tradicionais ou não, necessitam se tornar mais eficientes, incluindo o processo de tomada de decisões e investimentos expressivos em novas tecnologias.
    As Bolsas governadas por seus membros dificilmente conseguem captar recursos de terceiros; por outro lado, a maioria dos empreendimentos com fins lucrativos são estabelecidos como sociedades com capital social, onde acionistas, administradores e os clientes principais podem ter interesses diversos entre eles.

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PONTO DE VISTA

China dobra força de trabalho mundial 
José Pastore (*) 

    A participação acelerada e crescente da China na economia internacional trouxe duas importantes mudanças para o mundo ocidental. A primeira, no campo do trabalho. A segunda, no campo da inflação. 
    O salário médio mensal nas boas indústrias da China é de  US$ 100. É uma diferença brutal em relação ao mundo ocidental. Nas indústrias médias e pequenas, isso cai para US$ 80, US$ 70 e até US$ 60. Evidentemente, o custo da produção é beneficiado por esses salários, sem contar as outras benesses que são usufruídas pelos produtores chineses (juros baixos, tributos razoáveis, subsídios de vários tipos, empréstimos não honrados, etc.). 
    Ao se transformar num grande produtor e exportador de produtos eletrônicos, máquinas, equipamentos, tecidos, confecções, calçados, etc., com base num custo do trabalho irrisório, a China provocou um efeito indireto importante: expandiu a oferta da mão-de-obra mundial. É isso mesmo. Ao consumir os produtos chineses, em lugar de produzi-los domesticamente, os países do mundo estão comprando bens produzidos por uma força de trabalho crescentemente qualificada e de baixíssimo custo. 
    A população rural da China tem aproximadamente 800 milhões de pessoas. A urbana, com 500 milhões, cresce mais de 4% ao ano. É aí que estão as indústrias que absorvem cerca de 300 milhões de pessoas que trabalham 10 horas por dia durante seis dias por semana. 
    Produtividade – Com a intensificação da educação básica e de treinamentos específicos (a matrícula no ensino médio cresceu quatro vezes entre 1998-2003), a mão-de-obra industrial da China vem elevando a produtividade de forma dramática. Em resumo, o mundo ganhou, na prática, um contingente de trabalhadores industriais da ordem de 300 milhões de pessoas, de boa qualidade, e que recebem menos de um décimo do que ganham, em média, os seus similares ocidentais. Foi uma espetacular ampliação da oferta de trabalho barato. 
    Ao lado disso, a China está contribuindo para baixar os preços dos bens vendidos no mundo inteiro. Isso tem ajudado a manter a inflação em patamares irrisórios na maior parte do Ocidente. Apesar de aumentos recentes, as taxas de juros praticadas no mercado internacional permanecem muito baixas (exceto Brasil), o que reforça a queda da inflação. 
    Se considerarmos que a Índia e as repúblicas da ex-União Soviética também produzem com salários baixos e benefícios reduzidos, estima-se que, nos últimos dez anos, a força de trabalho mundial de baixo custo dobrou. 
    Dentro desse novo quadro de oferta, os trabalhadores dos demais países enfrentam hoje uma condição de difícil competição. Seus colegas da China, da Índia e da ex-União Soviética estão dispostos a trabalhar por remuneração e benefícios bem inferiores aos por eles pleiteados. 
    Esse exército de trabalhadores dispostos a ganhar menos e trabalhar mais tornam a vida dos dirigentes sindicais ocidentais extremamente penosa. Isso porque a sua renda passou a ser fixada por Beijing, Nova Délhi, Moscou e várias cidades industriais da Europa do Leste, tais como Gliwice (Polônia), Kolin (República Checa), Zilina e Trnava (Eslováquia). Essa é a nova ordem mundial no campo do trabalho humano. De certa maneira, o barateamento do fator trabalho acabou gerando maiores ganhos para o capital e provocando desemprego entre trabalhadores cujos sindicatos exigem remuneração muito acima daqueles países. 
    Medidas urgentes – No caso do Brasil, o achatamento salarial dos últimos anos carrega internamente a interferência do referido exército, à qual se somam as despesas excessivas na contratação impostas pela inegociável e imutável legislação trabalhista. Por isso, o tratamento da questão do trabalho no Brasil já não comporta mais a tomada de medidas isoladas. Nosso País não está separado do mundo. Ao contrário, está bem inserido num quadro no qual a oferta mundial de mão-de-obra de boa qualidade e de baixos salários, infelizmente, aumentou de forma surpreendente num período relativamente curto. 
    Isso exige uma rápida reformulação das leis vigentes e uma intensificação da formação profissional para que, por meio dessas medidas, a mão-de-obra do Brasil possa se tornar competitiva e produtiva em níveis mundiais. Do contrário corremos o risco de aumentar o desemprego e a informalidade e de baixar ainda mais os salários. 

(*) José Pastore é professor da FEA-USP. E-mail: jpjp@uninet.com.br. Homepage: www.josepastore.com.br. Artigo publicado no O Estado de São Paulo (de 10/01/2006).

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Indicadores

O desempenho das Instituições

1. Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários:
Evolução do somatório de Capital escritural do Sistema:

Posição em: Valores
(Em R$ mil)
Índice de 
Var. do Capital
Variação Acum.
do IGP-FGV
BASE 1994 = 100
31-12-2001 1.626.366,0 194,9 101,5
31-12-2002 2.984.277,3 441,2 154,8
31-12-2003 1.843.388,1 234,3 172,6
31-12-2004 2.066.856,4 274,8 207,5
31-12-2005 2.369.209,2 329,7 211,3
28-02-2006(*) 2.408.410,2 336,8 213,4
Obs.: (*) O valor correspondente em dólares é US$ mil 1.128.008

2. Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários:
Evolução do somatório do Patrimônio Líquido Agrupado:

Posição em: Valores
(Em R$ mil)
Índice de
Var. do Capital
Variação Acum.
do IGP-FGV
BASE 1994 = 100
31-12-2001 2.346.623,3 213,3 101,5
31-12-2002 3.895.715,1 420,2 154,8
31-12-2003 3.003.614,5 301,1 172,6
31-12-2004 3.415.539,3 356,1 207,5
31-12-2005 3.371.083,9 350,2 211,3
28-02-2006(*) 3.526.507,1 370,9 213,4
Obs.: (*) O valor correspondente em dólares é US$ mil 1.651.682

3. Pontos de Venda das Sociedades Distribuidoras

Em Junho/2006, as Distribuidoras de Valores representavam 402 
pontos de venda, com a seguinte distribuição geográfica:

UF Sedes Agências Total
SP 73 154 227
RJ 34 53 87
PR 2 14 16
MG 6 14 20
RS 2 11 13
SC 4 11 15
Outros 6 18 24
Total 127 275 402
4. Clubes de Investimento

Em Abril/2006, dos 1.429 Clubes de Investimentos registrados na
Bovespa, 87 (6,1%) eram administrados por Distribuidoras, sendo:

106 - Bancos 7,4%
1.236 - Corretoras 86,5%
87 - Distribuidoras 6,1%
1.429- Total 100%
5. BOVESPA - Bolsa de Valores de São Paulo

Em Abril/2006, as Dtvms responderam por 0,05% do
movimento total da Bovespa (R$ 90.562.156 mil). As Instituições Financeiras
participaram com 12,2% do movimento da Bovespa; Pessoas Físicas, 21,8%; 
Institucionais, 26,8%; Empresas 1,5% e Investidores Estrangeiros, 35,6%, Clubes de Investimento 2% e Outros 0,1%. Dentre as Instituições Financeiras, as Dtvms participaram com um volume de 0,3% como segue:

Bancos Comerciais/Múltiplos 66,6%
Bancos de Investimento 5,4%
Corretoras 27,6%
Financeiras 0,1%
Distribuidoras 0,3%
Total 100%
6. BM&F - Bolsa de Mercadorias & Futuros

Em Abril/2006, as Dtvms responderam por 1,7% do total do movimento 
da BM&F (162 milhões de contratos negociados e R$ 14.379.261.719 mil).
As Instituições Financeiras participaram com 59,1%; Pessoas Físicas, 
6,5%; Empresas 0,8%; Institucionais, 19,8%; e Investidores Estrangeiros, 
13,8% do movimento da BM&F. Dentre as Instituições Financeiras, as 
Dtvms participaram com um volume de 2,9% como segue:

Bancos Comerciais/Múltiplos 88,7%
Bancos de Investimento 5,6%
Corretoras 2,4%
Distribuidoras 2,9%
Banco Central 0,3%
Outras Pessoas-Jurídicas Financ. 0,1%
Total 100%

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EXPEDIENTE

Editor Geral: Antonio Tofaneto
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Órgão autorizado para a publicação mensal dos Balancetes e Balanços das Instituições Financeiras, atendendo exigências estabelecidas pela Resolução nº 1.088 (30/01/86), Circular nº 1.273 (29/12/87) do BC e Resolução CMN nº 2.228 (20/12/95)